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Luís Teves 23/09/2020 - A ÚLTIMA OPORTUNIDADE



Há seis meses que tenho o prazer e o privilégio de colaborar semanalmente neste espaço. Faço-o com todo o gosto, mas sempre com grande mágoa sobre aquilo que me sinto obrigado a escrever. Em mais de cinquenta anos como sportinguista nunca me senti tão distante do clube, tão envergonhado pela sua liderança e tão indignado pelo desrespeito, e desdém, dos Órgãos Sociais de clube para com os sócios e estatutos do Sporting Clube de Portugal. Confesso que me começam a faltar as palavras para transmitir aos meus consócios aquilo que sinto, e o que acho que deve ser a nossa obrigação colectiva na defesa dos superiores interesses do nosso clube: correr com esta corja. A inércia dos associados do clube é uma característica que me perturba, e que não entendo, porque como todos sabemos, se continuarmos a não responsabilizar os presidentes do CD e da MAG pelos seus actos autoritários, opressores e lesivos ao futuro do nosso clube eles continuarão a oprimir os associados e a navegar o clube para o precipício.


Estou convicto que a oposição ao Dr. Bruno de Carvalho, começou na mesma noite em que foi eleito em Março de 2013 e apenas o seu desempenho e resultados demonstrados ao longo de cinco anos foi adiando o desfecho que finalmente teve lugar em Junho de 2018. Costumo dizer aos meus amigos que, se o Dr. Bruno de Carvalho tivesse feito um trabalho tão meritório numa qualquer empresa nos Estados Unidos como aquele que produziu no Sporting, teria sido reconhecido, aumentado, promovido e, certamente, teria sido alvo de tentativas de recrutamento por parte de outras companhias. No Sporting foi suspenso e expulso.


Para quem não teve a oportunidade de ver e ouvir a intervenção do Dr. Bruno de Carvalho no programa Primeiro Tempo da última segunda-feira, sugiro vigorosamente que tirem uma hora para ver o programa, antes da Assembleia Geral do próximo sábado. São muito poucos os sportinguistas que têm uma visão tão perspicaz e apurada sobre o que está em risco para o clube e sobre as manobras e artimanhas utilizadas pelos actuais Órgãos Sociais para ludibriar os sócios. Não vou aqui reproduzir aquilo que está em risco para o Sporting como clube porque nunca o conseguiria fazer com a clarividência e precisão com que o fez o ex-presidente do Sporting (para mim o ainda legítimo presidente). Mas é do do conhecimento geral que o objectivo destes OS é forçar a venda da SAD.


O que pretendo, no entanto, é reafirmar a minha convicção de que a salvação do Sporting está nas mãos dos sportinguistas anónimos e apenas nas mãos dos sportinguistas anónimos. Isto porque os candidatos a presidente e os notáveis sportinguistas que justificaram a expulsão de Bruno de Carvalho com a reiterada violação dos estatutos nada dizem agora que Rogério Alves os viola de facto e reiteradamente. Onde está a indignação quando o PMAG se recusa a ler as actas das AG e diz publicamente que não o faz porque não concorda?  Onde está a indignação quando o PMAG decide unilateralmente alterar os estatutos transformando uma AG comum numa AG eleitoral amordaçando os sócios e usurpando-os do seu direito de questionar e pedir esclarecimentos ao presidente e membros do CD? O Dr. Dias da Cunha “esperneou” nas redes sociais, mas para além disso nada fez. Ele que em tempos foi PMAG e que é jurista podia ter tomado a iniciativa de interpor uma Providência Cautelar para impedir a realização desta AG ilegal. Porque não o fez? Onde está a coerência?


Por seu lado o Dr. Eduardo Barroso, que por sinal também foi PMAG na era de Godinho Lopes nunca se pronunciou sobre os atropelos de Rogério Alves aos estatutos. Onde está a indignação? Será que apenas nós, a escumalha, temos sentido de justiça e responsabilidade? E o que quis dizer o Dr. Eduardo Barroso quando afirmou que: “Os sócios do Sporting têm a obrigação de repor BdC como sócio. Estarei na primeira linha e conto com Varandas para o fazer”. Passados quatro meses, o que fez ele para ajudar a repor Bruno de Carvalho como sócio? Alguém já o viu sentado numa mesinha em frente ao Estádio de Alvalade a recolher assinaturas? Eu não, mas quero assinar. O que eu quero dizer com estes dois exemplos é que se os sportinguistas estão à espera dos “notáveis” para endireitar o clube podem esperar sentados porque eles só mexem uma palha se for para seu proveito.


Durante anos acreditei que os sportinguistas eram pessoas argutas, com maior grau de clarividência, com mais inteligência. Estava redondamente enganado. Perante o que tenho presenciado nos últimos dois anos só posso concluir que os sportinguistas são uns imbecis, acomodados e facilmente manipulados, que aceitam ser desrespeitados,  insultados e ignorados, e nada fazem porque não se querem dar ao trabalho. São na sua maioria uns preguiçosos que ignoram a sua obrigação de se manterem informados e lutarem pelo clube que dizem amar. São uns frouxos, moles e apáticos que se limitam a reclamar nas redes sociais, mas quando são chamados para marcar presença não dão a cara. O que esperar de uma massa associativa que abandona um protesto contra quem está a destruir o seu clube no momento que soa o apito para o início de um jogo de futebol? Que futuro terá um clube quando os sócios consentem ser controlados, manobrados e usurpados por uma elite corrupta e incompetente que faz o que quer do clube? O que será de um clube onde apenas um grupo limitado de sócios anónimos, sem grandes recursos, se empenha na luta pela justiça e transparência enquanto outros com mais recursos e visibilidade se limitam a assobiar para o lado? Que clube somos nós quando todos aqueles que ambicionavam ser presidentes se calam e não denunciam esta gestão incapaz e este abuso do poder? Que amor têm eles ao clube?


Cada vez que surge uma iniciativa de luta contra estes Órgãos Sociais, acabo sempre por ser traído pelo meu infinito optimismo e crença na determinação dos sportinguistas. Aquela sensação do “Agora é que vai ser, os sportinguistas vão acordar” acaba sempre por ser suplantada pelo desânimo do “Nada fizeram, tudo ficou na mesma”. Para a AG que se aproxima, pela primeira vez em dois anos, não sinto aquela convicção que os sportinguistas vão dizer presente e fazer o que tem de ser feito para salvar o clube. Pelo seu comodismo, pela sua ignorância ou pela sua estupidez, já não acredito tanto na vontade, na firmeza ou na persistência e determinação dos sportinguistas (salvo alguns casos). Com o acumular de desilusões vai-se dissipando a esperança e a confiança na vontade, no propósito e na tenacidade dos meus consócios.


O Sporting precisa de uma revolta. Uma revolta onde participem todos: homens e mulheres, novos e idosos, ricos e pobres, estudantes, intelectuais, trabalhadores e empresários. Quantos mais sportinguistas se envolverem maior legitimidade terá uma revolta pacífica. Alguns meios de luta de cariz mais institucional, como a recolha de assinaturas para uma AG destituitiva, já foram explorados sem resultados práticos. Nesta altura já se justificam ações pacíficas extra-institucionais como “sit-ins”, manifestações, boicotes, recusa na utilização de boletins codificados, recusa na participação em AGs ilegais sem, no entanto, abandonar as formas de luta institucionais e legais. Lamentavelmente, estas formas de luta terão pouca probabilidade de sucesso no Sporting. Isto porque os maiores inimigos do Sporting Clube de Portugal não são o Frederico Varandas ou o Rogério Alves. Os nossos maiores inimigos são a passividade, a inércia e a indiferença dos sócios que toleram e consentem que o clube seja empurrado para o abismo porque não se querem dar ao trabalho de lutar.


No próximo sábado é provável que o resultado de tanta reclamação nas redes sociais seja mais uma vez uma demonstração de fraqueza, de apatia, de conformismo e de desinteresse. É o que a história recente finalmente me ensinou. No domingo possivelmente terei de dar início a uma ponderação séria, honesta e objectiva sobre se devo ou não continuar associado a esta causa. Foi bom enquanto durou…cinco anos!



Luís Teves

23/09/2020



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