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Afonso Pinto Coelho 11/01/2021 - A Mensagem de “ano velho”



Na primeira edição do Jornal Sporting do novo ano de 2021, que saiu na passada quinta-feira (7 Janeiro), fiquei à espera da mensagem de Ano Novo do actual Presidente do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, à semelhança do que Frederico Varandas fez em 2020 na primeira edição do Jornal Sporting, publicada no dia 2 de Janeiro do passado ano. No entanto, rapidamente percebi que não iria haver nenhuma mensagem de Ano Novo, e que a “mensagem de ano novo” do actual Presidente ficaria reduzida a um curto editorial publicado pelo próprio no Jornal do Clube no dia 24 de Dezembro do “ano velho” de 2020, e em que a referência a 2021, para além dos habituais e tradicionais votos de Boas Festas, praticamente ficou reduzida a um par de frases.



Em função do que foi publicado no final de 2020 e não foi publicado no inicio de 2021, fiz o exercício de revisitar o que Frederico Varandas disse no Jornal Sporting no dia 2 de Janeiro de 2020 na sua mensagem de Ano Novo do inicio do ano passado. Nesse editorial, o actual Presidente do Conselho Directivo fala de “duas Taças no Futebol e a conquista de sete títulos europeus nas Modalidades” em 2019. Obviamente que essas conquistas “encheram” todos os sportinguistas de orgulho, satisfação e alegria, sendo que as épocas desportivas que determinaram a conquista desses títulos (não foram planeadas nem iniciadas) pelo actual Conselho Directivo presidido por Frederico Varandas, excepto a Liga de Campeões 2019 de Equipas (Masculinas) em Judo. Em 2020 (época desportiva 2019/2020 iniciada e planeada integralmente pelo elenco Directivo comandado por Frederico Varandas), o Sporting não conquistou qualquer titulo a nível de Futebol, e consequentemente não conseguiu revalidar a vitória nas “taças no Futebol” que tinha conquistado em 2018/2019 e relativamente aos “títulos europeus” nas modalidades também não foi conquistado qualquer titulo de campeão europeu, pelo que consequentemente não conseguimos revalidar o titulo europeu  (por via da eliminação na fase intermédia de grupos) na única competição europeia (Uefa Futsal Champions League 2019/2020) que se concluiu em função do efeito Covid-19, se bem que na Liga Europeia 2019/2020 de Hóquei em Patins também a equipa representativa do clube foi eliminada na fase de Grupos da prova antes da interrupção da prova por via da pandemia. No caso do Judo, Atletismo e Goalball, as respectivas competições europeias não se realizaram.


No mesmo editorial escrito na dia 2 de Janeiro de 2020, Frederico Varandas fala que a “nossa primeira vitória foi assegurar a salvação financeira do Clube, em linha com o trabalho iniciado…”. A actual situação financeira é actualmente pior do que aquela que Frederico Varandas encontrou quando assumiu a presidência, mesmo com o encaixe financeiro antecipado (sem recurso às vias litigiosas) de quatro jogadores que rescindiram e de muitos outros jogadores transferidos por verbas  abaixo do valores de mercado dos mesmos. Assim, pode-se demonstrar factualmente a titulo de exemplo em vários indicadores comparativos ao nível da Sporting Futebol SAD (30/06/2018 vs 30/09/2019):  aumento de "divida a empresários" em 60%, aumento de "dividas a fornecedores" em 47%, aumento de "receitas antecipadas" em 30%, aumento de "dividas a clubes" em 13%, diminuição de "clientes a receber" em 9%, aumento da "divida financeira" em 16% e aumento do "Passivo Total" em 6%. Em 2 de Janeiro de 2020, Frederico Varandas fala também que “no ultimo mercado de verão (2019) conseguimos um recorde de 55 Milhões de euros em vendas de jogadores…”. Mais uma vez, Frederico Varandas faltou à verdade relativamente ao “recorde” que referiu, na medida em que o mesmo foi obtido anteriormente em 2016 e continua em vigor em termos de “mercado de Verão”, onde foram transferidos Slimani, João Mário e Naldo pelo valor total (fixo) de 74,5 Milhões de euros,



Além disso, foi igualmente grave que Frederico Varandas tenha dito repetidamente (na penúltima Assembleia-Geral de Accionistas da Sporting Futebol SAD (em 29 de Setembro de 2020) que não se recordava ter feito tal afirmação (acerca do referido recorde) através da resposta a uma questão colocada por um accionista (mesmo depois da insistência do mesmo accionista a apelar à memória de Frederico Varandas) relativamente ao editorial que escreveu no Jornal Sporting em 2 de Janeiro de 2020. Ainda relativamente ao editorial assinado por Frederico Varandas no Jornal Sporting em Janeiro de 2020, assume particular relevância que “está em curso um projecto de transformação digital para construir a base do nosso futuro. Em 2020, esse trabalho até agora invisível, começará a ganhar visibilidade em diversas vertentes, das quais destacamos a implementação do i-voting, um sistema de voto electrónico remoto, pioneiro no ecossistema desportivo…”. Em 24 de Dezembro de 2020, Frederico Varandas fala novamente no Jornal Sporting que “continuaremos o processo de transformação digital e concluiremos importantes passos na melhoria da experiência de todo o ecossistema do Sporting C P”, pelo que se o actual Presidente do Conselho Directivo está a falar do i-voting não implementado em 2020, penso que a maioria dos sócios do Sporting Clube de Portugal dispensa a implementação desse sistema de voto pelas razões já conhecidas e amplamente explicadas, quer neste espaço de opinião, quer em outros fóruns sportinguistas, para além do facto de não ser “pioneiro” contrariamente ao que Frederico Varandas refere, pois o mesmo já foi utilizado pelo nosso rival directo para Açores, Madeira e Resto do Mundo, e com as consequências que se conhecem ao nível da (falta de) transparência e que contribuíram para desencadear uma enorme polémica relativamente às ultimas eleições do clube em questão.


Em conclusão, o que desejo e espero é que o actual Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal retome rapidamente o cumprimento do seu programa eleitoral no período que ainda lhe resta para o final do mandato para o qual foi eleito, e que isso permita trazer para o clube sucessos desportivos, sem degradar ainda mais a actual situação financeira do Grupo Sporting, por forma a que a sustentabilidade do clube (e da respectiva SAD) seja assegura nos moldes actuais (em termos de garantia da maioria do capital social por parte do clube na Sporting Futebol SAD, quer por via directa e/ou indirecta) e com respeito pela matriz eclética e olímpica da instituição, por forma a honrar a história do Sporting Clube de Portugal.   


Saudações leoninas!



Afonso Pinto Coelho

11/01/2021


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