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À Beira da Falência – Análise ao ReC do 1º Trimestre da Época 2020/21 (Parceria Rugido Verde)


Não se deixem iludir pelo título, como veremos a seguir a falência técnica é uma realidade e a falência total do clube a cada dia que passa está cada vez mais próxima.

Já nem com o 1º lugar no futebol é impossível esconder o buracão nas contas do Sporting, não há herança, covid, claques, escumalha, não há nada que possa, já nem digo esconder, mas atenuar a incompetência de quem gere os destinos deste enorme clube.

Seja qual for o ângulo de análise das contas apresentadas a conclusão é sempre a mesma, sem estratégia, sem ideias, sem rumo, sem futuro, navegação à vista derretendo tudo o que possa ter algum valor e nem assim se consegue os mínimos, que seriam pelo menos pagar os gastos correntes evitando o aumento das dívidas.

Assim e sem qualquer critério vamos começar pelas disponibilidades (dinheiro em caixa) existentes e verificar que a tesouraria está perto do colapso.

Nos bancos em 30/09 existiam 4M, uma redução de 10M face a 30/06 e já não chegava para pagar um mês de salários, percebe-se assim, a necessidade urgente de negociar Wendel de forma a garantir liquidez para pagar salários, que recorde-se, excluindo indeminizações, estabilizaram nos últimos anos numa média de 5M por mês, um acumulado de 60M no ano.

Nos valores a receber de clientes, uma redução no trimestre de 6M, há agora cerca de 12M a receber, sendo que metade é divida do WBA relativo à transferência de Matheus Pereira e duvido que seja paga nos próximos meses.

Em todo o caso, fica evidente que os clientes, com covid ou sem covid, estão a cumprir com as suas obrigações, ao contrário das nossas dívidas a fornecedores que não param de aumentar. Seria ridículo, face às esperadas dificuldades aparecer novamente na praça publica a notícia encomendada que o Sporting não cumpre as suas obrigações porque os seus clientes também não pagam.

Abordando agora o resultado negativo no trimestre em 4.1M, sabendo que habitualmente é no primeiro trimestre que se concentram grande parte das receitas e, por esse facto, ocasiona elevados resultados positivos que vão sendo absorvidos ao longo dos trimestre seguintes em que a receita é menor.

Prova disso são os resultados no 1º Trimestre dos últimos anos:

De notar que em 2019, apesar dos 21M de resultado positivo houve necessidade de vender em Janeiro Bruno Fernandes por 55M e ainda Matheus Pereira em Junho de forma a garantir liquidez e resultados equilibrados no final do ano. Julgo que isto é suficiente para se perceber a dimensão do desastre que se avizinha.

Entrando agora na falência técnica, todos nos lembramos da celeuma em 2018, que foi a notícia em toda a comunicação social “mainstream” a situação de falência técnica ocasionado pelos 13M de capitais próprios negativos.

Pois, seguramente agora, que os capitais próprios negativos são superiores, em apenas três meses passaram dos -9.8M para -14M, seguramente que no momento em que escrevo esta análise já terá sido notícia em todo o mundo a situação de falência técnica que a Sporting SAD atravessa.

Entrando no reino dos agentes, impressionante a longa lista de agentes e o valor total que atualmente está em dívida aos mesmos. E esta lista é apenas das dívidas a agentes correntes, isto é, exigíveis no prazo de um ano, pois o relatório não discrimina as dívidas não correntes, que por exemplo, em Junho incluíam uma dívida à Gestifute de 6.73M.

Se à lista de agentes acrescentar os 30M de dívidas a clubes relacionadas com aquisição de jogadores, estamos já num patamar de 57M, algo nunca visto e que deveria preocupar o mais fervoroso defensor do atual conselho diretivo, e que em 2018 tão perturbados e temerosos estavam com o buraco da dívida de 44M a fornecedores.

Para compor o quadro há ainda que acrescentar as dívidas a fornecedores correntes que totalizam 6.4M, que elevam o total da dívida a fornecedores CORRENTES para 64.5M. Interessante nesta altura perceber a evolução da herança de dívidas a clubes e comissionistas que o fisiatra está a construir, sempre a bater records, seguramente o céu será o seu limite pois não será ele quem está preocupado e que um dia terá de pagar:

Dos fornecedores passamos aos financiamentos obtidos, ou seja, aos bancos, que no curto espaço de três meses viram aumentar o valor corrente em 12M, passando dos 37M em junho para os atuais 49M. Sabendo que em novembro do próximo ano há o empréstimo obrigacionista para regularizar é confrangedora a falta de visão estratégica e capacidade para resolver compromissos por parte desta direção. Em bom português, vai ser bonito, vai …

Mas a surpresa não termina aqui, pois se compararmos o total dos financiamentos atuais 129M com os valores em junho de 2018 que era de 111M, um aumento de 18M, coisa pouca, ninguém está preocupado, seguramente …

Outra enorme preocupação em 2018 era o passivo de 282M, pois nada melhor que elevar o valor para 298M pois clube grande e com glamour é assim que funciona.

Bem vistas as coisas já estamos em condições de afirmar que, comparado com o atual, o buraco aberto por Godinho Lopes afinal era um buraquinho. Mais impressionante ainda se torna quando sabemos que chegamos a esta situação depois de se ter desbaratado um plantel valioso, que mesmo mal negociado rendeu mais de 200M e de se ter efetuado um generoso adiantamento de receitas futuras da NOS.

Tudo isto para produzir uma cratera financeira e para amealhar uns míseros 600 mil euros na conta reserva destinados a garantir o futuro do clube com a compra por 40M das VMOCs e 2026 é já ali. O tempo das vacas gordas terminou, entramos no tempo, já não digo de vacas magras porque é ainda pior, será o tempo das vacas partilhadas.

Termino este exercício penoso de análise das contas trimestrais garantindo que estou triste, revoltado por perceber que mais uma geração de miúdos talentosos está a ser preparada para venda pelas primeiras ofertas que cheguem a Alvalade, e não é para garantir a desejada sustentabilidade futura, mas tão somente para garantir o pagamento de salários, água e luz.

É terrível perceber que a única alternativa será aquilo que a direção garantiu não fazer, adiantar receita da NOS para além do seu mandato, influenciando e limitando desde já a estratégia de uma próxima direção. É forte, é enorme a herança (pesada) que está a ser construída.



Parceria Rugido Verde

Autor: Riskos1906

06/12/2020

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