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Rugido Verde 07/07/2020 - Monteiro Sem Rumo ou Como os Croquettes Continuam a Tentar Acabar com o...


Monteiro Sem Rumo ou Como os Croquettes Continuam a Tentar Acabar com o Clube


Completado que está um ano deste projecto chamado Rugido Verde, eu, enquanto autor, dei comigo a pensar “o que mudou no Sporting neste último ano?”, ou “será que os meus primeiros textos, de há um ano atrás, continuam actuais?”. Pessoalmente tenho batido muito na tecla da luta de classes que (em minha opinião) vigora no clube. Foi, aliás, o meu primeiro texto aqui. Posteriormente, continuei a abordar o tema numa ou noutra publicação. E é uma temática que continua muito válida ao dia de hoje, um ano após a fundação do Rugido Verde e 114 anos após a fundação do clube.


Curiosamente, é em pleno aniversário nosso que o nosso (corrupto) rival da segunda circular atravessa um momento de crise. Não tinha idealizado discorrer sobre isto hoje, mas há coisas que realmente não há como deixar passar. Tenho visto por essa internet fora muitos adeptos vermelhos a criticar abertamente os jogadores por falta de atitude e empenho. Até o presidente é alvo. Presidente esse que achou que introduzia uma toupeira, mandava uns mails, oferecia uns vouchers, fazia circular umas malas, ditava umas cartilhas de areia para os olhos e tinha tudo sob controlo. No entanto, na comunicação social, parece que não se passa nada, os jogadores são intocáveis e o presidente é um senhor, “ameaça demitir-se” dizem eles.



As claques ilegais do Benfica apedrejam o autocarro ferindo atletas e está tudo bem, só é terrorismo se for uns quilómetros mais ao lado. As claques do Benfica mandam elementos ao Campo Grande agredir e quase assassinar (o que aconteceria pela terceira vez) adeptos nossos mas não se passa nada.


Nos pertences e haveres dessas mesmas claques são encontradas camisolas nossas e listas com moradas e dados pessoais de elementos da Comunicação Social mas isso não são factos relevantes, não são notícia. Bem, mas tal como refiro atrás, não era bem isto que tinha em mente para o texto de hoje, fica o desabafo e a temática pendente para uma abordagem futura. Hoje, em pleno aniversário do clube vou falar de croquettes (sempre eles, porque será?). Ou de como essa minoria de adeptos acha que o clube é seu por direito e o tomou resolutamente de assalto.


Para o efeito selecionei um croquette em particular e vou discorrer sobre algumas das suas considerações numa conhecida publicação desportiva. O croquette em questão chama-se Henrique Monteiro e tem, como a maioria de vocês certamente saberá, uma coluna de opinião na newsletter não oficial do toupeirense ABola. Antes do recomeço da Liga, no final de Maio, a propósito da deslocação a Guimarães naquele que foi o nosso primeiro jogo após esse recomeço Henrique Monteiro a certa altura escreve o seguinte: “…tanto que o rival directo do Sporting, o SC Braga…”. E é isto meus amigos. É esta a mentalidade croquette. O nosso rival é o Braga. E eles são felizes assim, pequeninos, envergonhando diariamente a história da nossa centenária e titulada instituição. Eu até li aquilo várias vezes para ter a certeza que estava a ler bem.



Já anteriormente Henrique Monteiro tinha afirmado que o Famalicão é um exemplo a seguir. O Famalicão. Clube do carrocel Jorge Mendes. Monteiro acha que é este o caminho. Mas a coisa não fica por aqui. Henrique Monteiro acha que Rúben Amorim tem dado esperanças. Que tem apostado nos jovens e os jogadores parecem gostar dele. Esperanças de quê, Henrique? De termos um simpático tutor no balneário de que toda a gente gosta? Esperança de termos um bom tutor, mesmo sem experiência praticamente nenhuma no cargo? E os títulos senhor? E os títulos?!


Bem, esses, considerando que o rival é o Braga não são importantes, não é? Mais à frente, o nosso excelso jornalista refere que recusar a discussão da venda da maioria do capital social da SAD pode ser fatídico para o clube. Cá está, outra característica iminentemente croquette: eles estão mortinhos por “privatizar” o clube e já nem têm vergonha nenhuma na cara de o abordar publicamente, usando e abusando do seu papel de “líderes de opinião”. No início de Abril, Henrique Monteiro escreve numa das duas crónicas que a contratação por parte de Bruno de Carvalho do treinador Sérvio Sinisa Mihajlovic foi uma golpada. Juro que quando li isto me desmanchei a rir. A sério, não consegui parar. Henrique Monteiro a falar numa golpada. Caro Henrique, dedique-se ao humor, tem jeito!



Já depois do jogo de Guimarães, Henrique Monteiro teve a coragem de dizer que o Sporting se apresentou razoavelmente bem nesse jogo. Não o ganhou, não jogou um tremoço, mas apresentouse razoavelmente bem. Está certo. Mas calma, Monteiro justifica esta sua afirmação no parágrafo a seguir: o Sporting não ganhou, mas fez o melhor resultado dos quatro maiores clubes.


Aqui fiquei a pensar “mas que raio, os grandes em Portugal são só três”. O Sporting não ganhou mas os outros também não, o amigo toupeirense empatou também e Porto e Braga perderam! (esclarecido o mistério do quarto, é o Braga, o tal nosso rival directo!). Numa crónica da qual não tive oportunidade de tomar nota da data, Henrique Monteiro insurge-se contra um sócio advogado que no Twitter terá insultado Frederico Varandas. E mais, defende a sua expulsão de sócio ao abrigo dos estatutos. Estatutos esses que dizem que um presidente que fique impossibilitado de exercer o seu mandato deve perder o mesmo e serem convocadas eleições.


Mas aqui os estatutos já não interessam para nada. Os estatutos não contemplam excepções, dizem categoricamente que um presidente ausente deve ser removido. Seja por ir combater uma pandemia global, seja para ir trabalhar na agricultura a cavar batatas. Henrique Monteiro considera que nunca faria qualquer sentido obrigar as pessoas a saírem de casa para votarem numas eleições em plena pandemia, mesmo que em França se tenham realizado eleições municipais, no Futebol Clube do Porto se tenham realizado eleições para a direção ou no Benfica se tenha chumbado um orçamento. Em relação a esta última votação, não deixa de ser frustrante verificar que os sócios do Benfica têm os olhos mais abertos que os sócios do Sporting.



Este senhor, nesta crónica, chega mesmo a perder a cabeça e a insultar quem defende a democracia dos sócios no Sporting (ele que uns parágrafos antes tinha condenado veementemente quem insulta, lembram-se?), classificando-os de “ignorantes” e rematando com um “é desesperante!”. Henrique Monteiro não percebe o que se passa no Sporting, “…não há palavras para descrever este tipo de atitude, este tipo de mentalidade, este tipo de agressividade. Que se passou no Sporting para ter pessoas assim? Era com gente desta formação que queriam comandar um clube?…”. Acredito que realmente não perceba caro Henrique Monteiro.


Mas eu dou uma ajuda: o adepto do futebol é assim, exigente, mal-dizente, sempre foi, sempre será, o futebol é paixão e o povo, por mais que lhe custe aceitar, é que é o motor do mesmo. Sem povo não há futebol, se reduzirmos o clube à casta de notáveis a que você acha que pertence, o clube acaba, perde a sua identidade. E se isso acontecer acredite que vai ter muitas saudades dos insultos. Porque a arrogância, a presunção, a prepotência e a soberba que o senhor mostra nas suas crónicas são também elas sinónimo de má formação. Eu sei que para si o “Sporting Com Rumo” é que é.


Mas para nós, sócios, adeptos e simpatizantes o “Sporting Com Rumo” não passou dum desfile de vaidades duma série de “personalidades” que na nossa óptica limitaram-se a receber gordos cachets para verbalizar, no alto dos seus pedestais, uma série de diarreias mentais. Para os mais distraídos, passo a explicar: o “Sporting Com Rumo” foi (mais) um encontro de notáveis Sportinguistas que se reuniram para debater o clube. Na realidade estes notáveis nada sabem sobre o clube, foi apenas um pretexto para mostrarem orgulhosamente a sua importância e status social. Comeram à grande à custa do clube, dispararam umas banalidades e pronto. Conteúdo zero. Mas é disto que Henrique Monteiro gosta. Na sua crónica fez questão de “… salientar dois aspectos. O primeiro a qualidade dos convidados. Muito acima das discussões quase arruaceiras que se veem nas AGs e nas redondezas do estádio…”.


Assembleias Gerais? Redondezas do estádio? Cruzes, credo, vade retro satanás! Adeptos, sócios, povo, isso é que não pode ser, onde já se viu escumalha ter voz! Jamais! Vamos é promover uma ditadura onde os sócios não se possam pronunciar, de preferência uma onde os sócios e adeptos não existam sequer! Porque tal como diz o excelso jornalista no fim desta sua crónica “…ao ler os comentários feitos durante a transmissão (do evento Sporting Com Rumo) descobria alguns interessantes e acutilantes e outros que não passavam de enxovalhos e má língua…”.


O mais curioso disto tudo é que Henrique Monteiro é jornalista. Repito: jornalista! Não deveria ser um jornalista o respeitador máximo da liberdade de opinião e de expressão? Numa outra crónica, que também não tive oportunidade de reter a data, Henrique Monteiro fala sobre a sentença de Alcochete alegando que Bruno de Carvalho não pode voltar a ser sócio porque a sua expulsão nada teve a ver com o ataque. Esta narrativa já aqui foi desmontada. Monteiro acha que uma coisa não teve a com a outra mas claro que teve.


https://twitter.com/siberianwyvern/status/1267638481552957440

Mas por via das dúvidas porque não deixar os sócios decidir livremente isso? Porque não submeter o assunto em Assembleia Geral? Nesta sua crónica Monteiro volta a insistir na questão da perda da SAD, segundo ele o futuro do clube deve passar “… por discutir, sem medo nem preconceitos, quem deve e pode ter a maioria da SAD, com que restrições e com que modelos”. Portanto, deixem-me ver se percebi: Henrique Monteiro defende que um presidente que salvou o clube de fechar portas em 2013, recuperou o futebol dum vergonhoso sétimo lugar na liga para um lugar de Liga dos Campeões em 2014, meteu esse mesmo futebol a lutar pelo título em 2016, construiu um Pavilhão e foi campeão em todas as Modalidades em 2018 não merece ser sócio do clube. Mas ele, Henrique Monteiro, que defende a entrega da SAD do clube a terceiros é que merece. Está certo.



Mas, e porque isto não pode ser só dizer mal, devo confessar caro leitor, que encontrei nas crónicas de Henrique Monteiro algo com que concordo! Eu sei eu sei, neste momento devo-me flagelar com umas dezenas de chibatadas porque devo ter perdido o juízo! Mas não. Monteiro defende a certa altura uma liga portuguesa de futebol com apenas 12 equipas no escalão máximo. E aqui devo dizer que concordo com ele. Uma liga de menor dimensão iria certamente aumentar drasticamente a qualidade da mesma. Que, como temos visto recentemente, tem perdido pontos a olhos vistos.


Eu tenho é algumas dúvidas que este Sporting actual conseguisse lutar por algo mais que a manutenção na mesma. Mas o nosso Henrique seria um homem feliz independentemente disso, pois já não haveria escumalha a perturbar a boa ordem leonina. E ao fim de um ano de Rugido, e de mais de três dezenas de textos da minha parte, começo muito honestamente a pensar se haverá outra solução para esta guerra civil / luta de classes que não uma cisão que leve croquettes e SAD para um lado e Sporting do sócio, do adepto, do povo, para outro.


Porque se esta gente conseguir ir para a frente com a venda da SAD tudo isto para mim acaba. Ando há uma vida inteira a criticar os Chelseas, os Citys e os PSGs desta vida que se vendem a mafiosos. Não vou ser adepto de algo semelhante. Se depois o clube conseguir continuar lá estarei. Mas em projectos de SADs manhosas é que não me apanham. Plagiando-me a mim próprio, vade retro satanás! P. S. Este texto contou com as preciosas colaborações dos meus camaradas Peyroteo e Siberianwyvern, a ambos aquele abraço.


Autor: Green Floyd



Rugido Verde

07/07/2020




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