Buscar
  • Opinião com Assinatura

Rémulo Marques 22/06/2020 - Portugal vai, se nenhuma hecatombe surgir entretanto, receber a final...

Portugal vai, se nenhuma hecatombe surgir entretanto, receber a final a 8 da Liga dos Campeões.



É, sem dúvida, uma boa notícia, não digo que não. Motivo de orgulho, pois claro. 



Porém, e desculpem não ser mais uma vez apenas outra ovelha no triste rebanho de "seguidistas" que este país tanto promove, não consegui conter a vergonha alheia por vários contornos deste "processo", que passo a enunciar: 


1 - Não consigo entender a cerimónia com as mais altas honras de Estado, com o Presidente da República, Primeiro-Ministro e Presidente da Federação Portuguesa de Futebol para este anúncio, cheio de auto-elogios desprovidos de sentido (e alguns deles deveras falaciosos). Para mim, foi apenas e só folclore, e foi um folclore que deu jeito tanto politicamente ao Governo como desportivamente (e politicamente) a Fernando Gomes.

2 - Pior que a cerimónia em si, é o Sr. Presidente da Nação, que tantas vezes mereceu e merece o meu elogio, ter caído no populismo escusado de dizer que a Champions em Portugal era um prémio para os profissionais de saúde no nosso país. A sério Professor Marcelo? (não preciso dizer muito mais, porque os manguitos e os dedos do meio que os profissionais de saúde têm reservado a esta "prenda" por si só chegam para atestar o quanto gostaram da mesma).


3 - Com os adeptos portugueses afastados dos Estádios, das imediações dos Estádios, dos cafés, e até dos sofás se não tiverem "arame" para custear a Sporttv e a BTV, foi de grande inteligência, bom senso e tacto abrir a porta, como se fez, à possibilidade de os jogos da Champions virem a ter adeptos. Adorei. 


4 - Fernando Gomes e Tiago Craveiro, o próprio amigalhaço Ceferin fez questão de o enaltecer, puseram os pés a caminho, arregaçaram as mangas e conseguiram convencer a UEFA de que Portugal era o melhor "destino" da Europa para a conclusão da prova milionária. Claro está que esta jogada merece créditos. Very Good! Muy Bien! Trés Bien! Muito bem Fernando e Tiago. Portugal tem uma Federação do melhor que existe. Conseguimos a Champions!!!!



Ah, espera, mas não conseguimos fazer seis jogos do playoff do Campeonato de Portugal, terminar a 2ª Liga (e aqui conseguimos descer equipas sem se terminar a prova), e também estamos muito empenhados nos tectos salariais no futebol feminino ou então em anunciar a renovação de Fernando Santos como seleccionador e a data da Final da Taça de Portugal precisamente enquanto decorria a manifestação à porta da Cidade de Futebol marcada por AD Fafe, Lusitânia de Lourosa, Praiense, Benfica Castelo Branco, Olhanense e Real. Coincidências. 


Já agora, lembram-se do meu texto da semana passada? Alguém esteve atento para ver se Fernando Gomes, o mastermind da Champions em Portugal, recebeu os presidentes destes seis clubes? Pois, não deu. Mas que interessa isso? Temos a Champions em Portugal. Agora estar a perder tempo da agenda presidencial para receber dirigentes de clubes do dito principal campeonato de futebol da Federação... Vocês têm cada ideia. Se for o Presidente do PSG, Atlético de Madrid, Bayern ou alguma dessas equipas portuguesas que estão na Champions, já serão recebidas. Provavelmente até em Belém. 


Finalmente, quero repetir o que já disse nas minhas redes sociais. Sem meias-palavras: É triste e vergonhoso ver um comentador como Rui Pedro Brás na TVI24 atacar os clubes do Campeonato de Portugal como o fez. Não só demonstrando total desconhecimento do que estava a falar como, para esse "ataque", utilizar dados que só a FPF tem acesso (número de jogos em que estes seis clubes tiveram médico na ficha de jogo). Ter fontes é bom. Eu tenho as minhas. Mas usar dados que só a Federação tem acesso para atacar clubes que estão em desacordo com a Federação.... hum... pois. Coincidências do destino, talvez. Eu, por exemplo, conheço uma senhora que olha para pedras da calçada e diz que adivinha o futuro. Tudo é possível. Até sapos caírem do céu.

Aquele abraço,

Rémulo Marques


PS - Uma nota final para Luís Castro e para a conquista do título ucraniano ao serviço do Shakthar. Mais do que o título em si, e já agora aproveito para, aqui, o felicitar mais uma vez (e a todos os portugueses na estrutura, que são bastantes e muito, muito bons no que fazem), quero enaltecer as palavras que Luís Castro teve no final. Lembrando aqueles que na Sociedade em geral, mas também (foi a minha leitura) no futebol em concreto, a quem nunca lhes são dadas as oportunidades condizentes com as suas competências. Lembrando os esquecidos, os oprimidos e aqueles que não vivem à custa de padrinhos e de subidas de joelhos. 

Luís Castro é um grande treinador. É português. Pedro Martins, também, e está quase a sagrar-se campeão da Grécia. Vítor Pereira, está na China, e é "assombroso" no que sabe do jogo e como vive apaixonado por ele. Podia falar de outros, mas por hoje "chegam" estes. Porque, realmente, e olhando para o que é e tem sido o nosso futebol, esta gente estava cá mesmo a mais. 





390 visualizações11 comentários
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now