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Rémulo Marques 04/05/2020 - O Futuro do Futebol Português não está garantido... e a culpa...


O Futuro do Futebol Português não está garantido... e a culpa também é da FPF

Vamos por partes. 


Ponto Prévio:

A Federação Portuguesa de Futebol, sob os "comandos" de Fernando Gomes, é uma máquina bem oleada, bem preparada e bem estruturada. No geral, tem contribuído, à boleia da bonança financeira que os bons resultados de CR7 e companhia têm proporcionado, um crescimento visível nas mais diversas áreas. 


Desde logo, é assinalável o trabalho nas selecções nacionais, das mais jovens aos AA, da Feminina ao Futsal e não esquecendo o Futebol de Praia. Em concreto destaco e sublinho o altamente meritório trabalho que tem visado o desenvolvimento do Futebol Feminino em Portugal, nos mais diversos espectros e quadrantes.


Posso ainda, justamente, acrescentar que a Cidade do Futebol, o Canal 11 (se bem que aqui e ali se tenha desviado claramente dos propósitos inicialmente avançados) e a positiva imagem projectada além-fronteiras de Portugal do futebol (mais uma vez à boleia das selecções nacionais) são claras e evidentes mais-valias e devem ser enaltecidas, sem rodeios. 



A pergunta que se impõe é, porém, se tudo o descrito acima vale um cheque em branco, um fechar de olhos ou um desviar da cabeça para o outro lado, tão típico na sociedade e no futebol nacional, a Fernando Gomes e à Federação Portuguesa de Futebol no que tem de ser o seu papel global e estruturante para o futebol português como um todo?


A resposta é, indubitavelmente, NÃO! Um não rotundo.


Passo a explicar. 

Hoje, segunda-feira, 4 de Maio de 2020, fomos presenteados em todos os jornais desportivos do país (e em mais alguns "generalistas") com um artigo de Fernando Gomes, intitulado "O Futuro do Futebol Português não está Garantido". Tem toda a razão Sr. Presidente. E tem toda a razão em muitas das questões que, de modo tão assertivo, destaca no seu mui bem formulado artigo. Mas, deixe-me que lhe diga Sr. Presidente, que se o Futuro do Futebol Português não está garantido, também é por culpa sua e da Federação. Isto, não obstante o que referi no ponto prévio. E não se tratou da velha máxima de amolecer para depois bater. Trata-se, simplesmente, que eu não lhe passo cheques em branco. A si, ou a quem quer que seja. Ainda menos quando, de modo tão óbvio, há tanto que ficou por fazer e há tanto que ameaça ficar por fazer. 

Mas, ainda lhe digo mais: A acreditar, como acredito, na veracidade das notícias difundidas nos últimos dias pelos jornais que lhe conferem Medalhas de Ouro e odes de "bajulismo" triunfalista, há tanto que vai ser feito e que, só não vê quem não quer - e o Sr. Presidente não quer (ver), vai significar um retrocesso, um agudizar de questões que mal estavam, pior vão ficar.


Falo, por exemplo, do anúncio da recondução de José Fontelas Gomes para o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. Acredito que exista algum fetiche por bater recordes do Guiness para o C.A. com mais processos, mais queixas. Acredito até que seja uma espécie de "quanto mais lhe batem, mais eu gosto dele". Ou, se quiserem, de o Sr. Presidente ver isto como uma perseguição sem sentido, em que estão todos errados menos o Sr. Presidente e o actual C.A. Lamento, contudo, que não veja o evidente, e que não veja que, mais cedo ou mais tarde, as incongruências e os muitos atropelos dos regulamentos que têm vindo a público (sem nunca terem sido desmentidos por quem de direito) vão também chapinar tudo à volta. 


Falo, por exemplo, da anunciada escolha de Cláudia Santos para o Conselho de Disciplina. E o tanto que há para dizer aqui, para além da questão da promiscuidade entre política e futebol (não é ilegal mas à mulher de césar...). 

Falo, por exemplo, da aparente oportunidade perdida de se reformular, em definitivo, a aberração a estrutura competitiva totalmente abjecta do Campeonato de Portugal, grande responsável pelo horrível estado a que chegaram muitos clubes (e, em consequência, os seus jogadores, treinadores e restantes funcionários). Isso, a par com uma política de deixa andar e de fechar olhos ou desviar cabeças por parte da Federação para com clubes incumpridores e dirigentes que cometem autênticos crimes nas respectivas gestões.


O Sr. Presidente diz que não vai mais pactuar com isso. As regras vão apertar. A malha vai apertar. Agora é que vai ser. 


Cá estaremos para ver, mas uma coisa é certa, esta foi uma oportunidade totalmente desperdiçada para reflectir, ouvir (que blasfémia a minha) e mudar. Mudar já. Não cair no erro de anunciar que se vai mudar. Não cair no populismo demagógico de dizer que não pode ser assim, que são precisas pessoas mais competentes nos clubes, que os clubes têm de mudar as suas políticas, que não se permitirá situações de falso amadorismo, etc, etc, blá, blá, muito blá. 

Fica, desde já, a pergunta (ou melhor, a repetição da pergunta que neste espaço já havia endereçado):


Os clubes que recorreram ao fundo de garantia salarial, os que não cumpriram meses a fio, os que já não cumpriam no ano passado e no anterior, os que têm em comum os mesmíssimos dirigentes/gestores que até vão para os jornais (onde têm direito a páginas inteiras) "gabarolar-se" e vangloriar-se, vão estar no Campeonato de Portugal 2020/2021?


Já agora, mais uma pergunta: O que seria de muitos jogadores e até alguns funcionários de vários clubes se não fosse o Movimento Futebol para a Vida? O que seria?


Eu, no lugar da Federação, como entidade que tutela o Campeonato de Portugal e visse figuras como Fernando Santos, José Mourinho, Sérgio Conceição, Bernardo Silva, João Félix e Bruno Fernandes, entre tantos outros, a darem a sua imagem para se angariar fundos para ajudar jogadores em dificuldades nesta competição... não dormia enquanto não identificasse, no imediato, para ontem, uma solução, medidas sérias e sem margem para dúvidas ou discursos para entreter e para colocar água na fervura no meio de uma onda de contestação. 


É por isso que, repito, a minha resposta é Não, Sr. Presidente. Não há lugar para cheques em branco. E por muito que a máquina bem oleada - que também é de propaganda, tente (e no geral até consiga) projectar outra imagem na opinião pública (e nisso muito ajudam medalhas de ouro e editoriais de jornalistas de referência), mantenho, por tudo o que atrás fui avançando, que para o Futebol Português ter o futuro assegurado, era antes de mais necessário deixar de lado tiques do "eu é que sei" e do "eu quero, posso e mando" e realmente fazer o que tem de ser feito para o bem, o verdadeiro bem do nosso futebol.



Rémulo Marques

04/05/2020


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