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Paulo Afonso Ramos 28/04/2020 - Uma pandemia com salvação


Este título é, de todo, inesperado! Nunca, ninguém, mesmo no auge da sua criatividade poderia prever uma pandemia, e muito menos, que essa tal pandemia serviria como salvação para mais uns tempos (infelizmente longos) com a liderança de um Clube. Uma liderança repartida, entenda-se! Depois dos múltiplos fracassos, das cedências - recordo só Nani e Bas Dost - mais as aquisições falhadas, o bluff financeiro ou a vasta contradição nas justificações, primeiro nas aquisições e depois nas dispensas, dos diversos treinadores tudo tem sido uma calamidade para o Clube como algo nunca visto. Sou muitas vezes assaltado, pela minha memória, por episódios, ainda não muito longínquos, de uma exigência atroz por adeptos e sócios que faziam uma razia e esmiuçavam o mais ínfimo pormenor, sempre com o paralelismo de, por um lado a exigência de mais e melhor, por outro lado, a desconfiança de tudo e todos. Agora, até isso, perdeu-se! Perdeu-se quase tudo. Triste e infeliz realidade dos novos tempos.

Entretanto, em muitas promessas, a do circo acabou à cabeça, a caminhada tem sido surreal e tem tido de tudo. E há margem, sem oposição de outrora, para tudo mesmo, desde uma comunicação débil, asneiras e ofensas aos Sportinguistas e o descartado incumprimento dos estatutos. Pior era impossível! Se isto tudo fosse no tempo do outro senhor, de exigência máxima, como seriam as chuvas de críticas? “Hoy no passa nada!” E basta a comunicação social não fazer ondas para todos navegarmos rio abaixo... E de tão mau tudo estar, de erros infantis, de gastos astronómicos e da compra de um treinador - não, não é Sinisa Mihajlovic - a custo lunar e inesperado qual poço de petróleo transferido do Beato para Alvalade, eis uma pandemia para ficarmos em casa, só com permissão de vir até as varandas. Ironia à parte, o confinamento serviu para promoções, publicidade e para respirar um pouco, além de servir, na perfeição, para protelar esta gestão única e de perfeito atestado de Karma aos Sportinguistas. Depois de todas as justificações, eis todos nós, perante a melhor e inquestionável argumentação de paciência e espera, talvez, também, à espera de um milagre ou da queda final de um legado atípico de apatia, hipnose ou talvez embrutecimento abruptamente forçado por excesso de televisão manipulada e usada intencionalmente como a mais mortífera arma capaz de anular o pensamento humano transformando muitos em cordeiros ou como inesperados desistentes de verde e branco. Como é tão fácil desistir... Simplesmente surreal também. Por todo este conjunto de factores, digo, sem desrespeitar quem sofre com o Covid-19, que há quem tenha visto esta pandemia como a sua salvação, pelo menos, para uns e por mais algum tempo. E as varandas de Portugal e do mundo estão na moda! Há coisas do caraças...



Paulo Afonso Ramos

28/04/2020


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