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Luís Teves 29/04/2020 - Sorrisos com desavisos

Atualizado: Abr 30


Por norma, as pessoas não diagnosticadas com qualquer perturbação mental, demonstram reacções naturais, apropriadas e previsíveis a determinados episódios ou circunstâncias. Por exemplo, quando alguém perde um ente querido, o mais expectável é que manifeste pesar, desgosto e tristeza. Esta conduta emocional permite ao indivíduo expressar o seu stress, e serve para dar a conhecer a quem o rodeia o dilema em que se encontra. Daí que estas reacções sejam fundamentais na natureza humana: através delas podemos constatar as carências dos outros e dar-lhes apoio, se necessário.

No entanto, existe um fenómeno chamado “Inappropriate Affect”(Afeto Inapropriado), em que a pessoa tem comportamentos, ou exibe reacções emocionais, completamente inapropriadas e inconsistentes com a situação em que se encontra. Por exemplo, uma pessoa rir-se quando acontece uma tragédia, ou quando morre alguém. O Dicionário de Psicologia da American Psychological Association define “Inappropriate Affect” como uma das principais características da Hebefrenia, uma forma de esquizofrenia, cujos sintomas podem incluir: discurso desconexo, comportamento infantil, reacções emocionais inapropriadas, delírios de grandeza, ou até raciocínio incoerente.

Não é meu hábito pesquisar temas relacionados com a psicologia porque tenho outros interesses, mas o comportamento, e muitas das reacções do actual presidente do meu clube, despertou-me uma enorme curiosidade. Várias foram as vezes em que perguntei, a mim próprio: o que terá levado o Dr. Frederico Varandas a esboçar um sorriso de todo o tamanho quando estava a ser vítima de um bárbaro ataque na Academia de Alcochete? Ou o que terá motivado o presidente do Sporting a sorrir, e atirar beijos para a plateia, no decorrer de uma Assembleia Geral em que estava a ser atacado verbalmente e arrasado na sua honra, carácter e dignidade pelos sócios do clube? Como pode alguém sorrir quando está a ser humilhado por centenas de pessoas? Será ele um autómato? Um falso? Estaria embaraçado, atrapalhado? E porque será que Varandas decidiu comer amendoins calmamente enquanto se desenrolava um aceso debate durante uma AG da SAD? Estas não me parecem ser reacções normais ou bem enquadradas com os episódios que as provocaram.

Este tipo de comportamento surreal não foi limitado a estas duas ocasiões. Tem sido uma constante desde que Frederico Varandas passou a gozar de maior exposição mediática após a sua “eleição”. Lembro-me, por exemplo, de o ver a sorrir, ao cumprimentar com “high-fives”, os seus colegas após o jogo em Famalicão em que o Sporting sofreu uma pesada derrota. Mais recentemente, todos nós tivemos oportunidade de ver nos jornais nacionais, fotografias do Dr. Varandas, vestido com “equipamento antivírus”, numa pose sorridente, em plena situação caótica, de pandemia mundial.


O que poderá motivar atitudes tão bizarras e despropositadas? Não sou psicólogo ou psiquiatra e por isso, longe de mim sugerir que Frederico Varandas possa padecer de alguma das condições clínicas que acima mencionei. Pode ser que seja apenas um caso de “pouca luz no sótão”, ou a sua maneira de demonstrar o seu desdém pelos sócios que ele, decerto, considera serem estúpidos ou escumalha. Espero que na sua nova trajectória como médico compulsoriamente voluntário, o Dr. Varandas nunca tenha que informar a alguém o falecimento de um familiar ou amigo. Mas se tiver a infelicidade de ter que o fazer, que não o faça com um sorriso nos lábios.

Sorrisos inapropriados têm geralmente um efeito funesto. O Dr. Varandas já teve uma mão cheia de especialistas, responsáveis pela comunicação, e possivelmente consultores de imagem, mas ao que parece, ninguém ainda lhe aconselhou a fazer uma análise e avaliação do seu comportamento não-verbal. Para além da linguagem falada e escrita, que sabemos não ser o seu prato forte, a expressão facial como o rolar de olhos, o sorriso amarelo ou o levantar de sobrancelhas é igualmente reveladora da nossa sensibilidade, empatia e solidariedade para com os outros. A intolerância, condescendência, arrogância, presunção e insolência são também facilmente perceptíveis na expressão facial. O Dr. Varandas devia preocupar-se muito com todos estes factores. Em dois anos de presidência Varandas tem exibido comportamentos capazes de baralhar qualquer sábio. Ri quando não devia, fala quando devia ficar calado e cala-se quando devia falar. Paga (comissões) a quem não devia pagar e não paga a quem deve. Compra quem não devia comprar e vende (ou oferece) quem devia manter. É, sem dúvida, um “case-study” da psicologia humana.



Luís Teves

29/04/2020


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