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  • Opinião com Assinatura

Luís Teves 26/08/2020 - MANIFESTAÇÕES E ALUCINAÇÕES



Faz hoje uma semana que ocorreram duas manifestações organizadas pelo movimento #AcordaSporting. Confesso que estava bastante esperançado que fossem protestos com forte adesão por duas razões. Em primeiro lugar porque a primeira manifestação realizou-se junto aos escritórios de Rogério Alves, o PMAG que se recusa a cumprir os estatutos do clube e que não desempenha cabalmente as funções para as quais foi supostamente eleito. Em segundo lugar porque esses protestos aconteceram no dia de uma meia-final da Champions League em Alvalade e teriam, portanto, potencial para dar a conhecer ao mundo a realidade que se vive no Sporting.


Reconheço que a participação ficou muito aquém das minhas expectativas o que me deixou bastante desiludido. Bem sei que organizar uma manifestação num dia útil em Agosto e em horas de expediente não é propriamente um caso arrumado. No entanto, relembro que esta manifestação teve o apoio público de 23 Núcleos do Sporting bem como de várias claques. O que não houve foi apoio logístico de espécie alguma. Se os núcleos e as claques se comprometeram a apoiar esta iniciativa, teriam de ter percebido que isto lhes incumbia de participar activamente na mesma, garantindo a comparência dos seus sócios e membros. Parece que se bazaram todos porque não me apercebi de qualquer actividade organizada quer dos núcleos, quer das claques. Foi mais uma oportunidade perdida e mais uma vez a maioria dos sportinguistas demonstrou que só aparecem quando há jogo da bola e só protestam até soar o apito para o começo do jogo. É esta a triste realidade, e a continuar assim não haverá maneira de correr com quem faz o que quer dos estatutos nem com quem está a gerir o clube miseravelmente.



Apesar da fraca participação estas manifestações não passaram despercebidas de todo e até mereceram as honras de uma crónica da autoria de um croquete que sofre de alucinações e que deveria diligenciar para que o seu problema de neurónios seja tratado clinicamente.

Refiro-me obviamente ao insuportável Carlos Barbosa da Cruz que no seu artigo intitulado “Intimidação” afirma que “Esta ideia de ir protestar contra o PMAG,  à porta do seu escritório profissional…transporta o travo intolerável de intimidação pessoalizada.” Em primeiro lugar, o Sr. Barbosa da Cruz faz insinuações que não pode materializar com factos porque não houve uma única reportagem que relatasse terem sido feitas ameaças verbais ou físicas ao Dr. Rogério Alves, ou que qualquer acto de violência tenha sido praticados.


O que aconteceu, foi o exercício por parte de um número de cidadãos sportinguistas, dos seus direitos democráticos e civis. O que aconteceu foi o exercício do direito ao protesto por parte de um grupo de sportinguistas que exige a responsabilização do PMAG pela violação dos estatutos do clube e dos direitos dos sócios. O que aconteceu foi a expressão livre da nossa aversão à rejeição sumária, por parte do PMAG, das iniciativas apresentadas por sócios do clube. Ao contrário do que diz Barbosa da Cruz não foram os sócios que rejeitaram o movimento Dar Rumo ao Sporting….quem o rejeitou foi o Dr. Rogério Alves… por decreto pessoal.


Em suma, o que aconteceu foi democracia, uma coisa que há dois anos não é praticada num Sporting que recuou ao “tempo da outra senhora” do qual o Barbosa da Cruz parece estar saudoso.

Carlos Barbosa da Cruz remata o seu escrito com: “Esta prática do põe-te a pau porque sei onde moras é do mais baixo rufianismo de acção directa e envergonha-nos a todos”. O que não envergonha o Sr. Barbosa da Cruz é ver o clube a fazer compras quando deve dinheiro a toda a gente. Não lhe envergonha ver o presidente do CD a andar de braço dado com um corrupto, arguido em inúmeros processos judiciais por adulteração da verdade desportiva e obtenção de benefícios indevidos, e dele obter ajudas para fazer contratações. A ele não lhe envergonha que o Sporting contrate um jurista que aconselhou jogadores do clube a não jogarem uma final da Taça de Portugal para aumentarem a sua possibilidade de sucesso em processos de rescisão unilateral com o clube. Não lhe envergonha que o Sporting mantenha silêncio absoluto quando um homem que assassinou um adepto do clube esteja em liberdade há dois anos. Não lhe envergonha porque ele sim, recuperou privilégios que tinha perdido durante cinco anos.


Não deve ser assim tão difícil saber onde mora este croquete ou onde ganha a vida como ele diz. Se calhar seria uma experiência pedagógica e edificante para ele se um grupo de sportinguistas fosse lá numa tarde de sol demonstrar-lhe que o direito ao protesto incorpora o exercício de um número de direitos indivisíveis, interdependentes e interligados como são o direito à liberdade de expressão, o direito ao associativismo, o direito à liberdade de pensamento e liberdade religiosa, o direito à greve, o direito de participar na vida política e cultural bem como o direito à vida, à segurança, e à protecção contra a discriminação. Aparentemente estes são conceitos que ele e os seus amigos dos Órgãos Sociais do Sporting não entendem.


Luís Teves

26/08/2020


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