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Luís Teves 25/02/2021 - NÃO HÁ DUAS SEM TRÊS?



Há uma crença na psique ocidental de que os infortúnios e as tragédias acontecem sempre em grupos de três. De desastres naturais a percalços domésticos e até a mortes muitos acreditam que se um azar nos bateu à porta duas vezes, definitivamente irá fazê-lo uma terceira vez. No Sporting este fenômeno parece estar bem evidente a julgar pelas intervenções públicas de três ex-presidentes na passada semana.


Depois da famosa redação que Filipe Soares Franco publicou no jornal Record há duas semanas, foi a vez de José Roquette aparecer numa entrevista na TV. Felizmente para nós o segmento em que abordou a temática do Sporting Clube de Portugal foi curto, mas mesmo assim foi suficiente para irritar um sportinguista como eu que não suporta imbecilidades e não se deixa ser ludibriado por chavões reciclados que não são alicerçados em factos. No decorrer da entrevista o Dr. Roquette afirmou que “a gestão do Dr. Bruno de Carvalho causou feridas muito profundas”. A jornalista não soube fazer o seu papel demitindo-se de questionar o Sr. Roquette sobre quais as feridas a que ele se referia em particular. No lugar de Fátima Campos Ferreira eu teria solicitado ao entrevistado que ferida ele achava ter sido a mais profunda: se seria a construção de um pavilhão multidesportivo ou a assinatura de um contrato de transmissões televisivas com a NOS no valor de 515 milhões de euros, que agora estão a servir para encher os bolsos a muita gente. Ou talvez perguntar-lhe-ia se ele acha que duplicar o número de sócios em cinco anos, e encher o Estádio de Alvalade com 40 mil adeptos em praticamente todos os jogos será infligir feridas no clube. Mas os jornalistas portugueses já nos habituaram à sua falta de coragem quando se trata de fazer perguntas pertinentes mas incômodas.


Seguiu-se o sempre actual tema da venda da SAD e José Roquette reiterou a sua convicção de que é inevitável abrir os capitais da SAD a investidores estrangeiros. Fazer uma afirmação destas equivale, no mínimo, a admitir que tanto ele como quase todos os seus sucessores, não tiveram a capacidade, o empenho, a estratégia, a destreza, a seriedade e sobretudo a competência para gerir o clube de forma a que este cenário nunca tivesse que ser posto em cima da mesa. Dos últimos sete presidentes do Sporting, apenas aquele que deixou “feridas”, foi capaz de chefiar e conduzir o clube numa caminho que o tornaria sustentável, autônomo, e pujante. Não o deixaram acabar a obra talvez porque isso significaria em definitivo o fim das mordomias, dos gamanços, dos jantares e dos cocktails. Ai foi essencial repescar um fantoche da linhagem intragável e incompetente dos croquetes para transportar o clube ao passado e conduzi-lo de novo ao descalabro. A continuar com esta gente, que não faz a mínima ideia de como gerir um clube desportivo, e que pela sua vaidade, arrogância e presunção, insistem que mais ninguém o saberá fazer, não duvido que a venda da Sporting SAD venha a tornar-se numa realidade.


Como não há duas sem três teve que aparecer Antonio Dias da Cunha, o último presidente a sagrar-se campeão no futebol profissional pelo Sporting. Sublinhe-se que também foi campeão no aumento do passivo e na ruína financeira do clube. Este notável também se sentiu na obrigação de aparecer para enaltecer Frederico Varandas e para nos encorajar a reconhecer o enorme "mérito" do pseudo-presidente do Sporting. Não percebo porque não o fez mais cedo, por exemplo no fim da época passada, quando o Sporting teve o pior registo de derrotas numa época desportiva em toda a sua história. Não teria sido "mérito" do Sr. Doutor? Dias da Cunha exultou ainda as virtudes de Varandas na sua preparação para cargo que agora ocupa enquanto médico do clube, salientando que apoia totalmente o trabalho que Varandas está a desenvolver. Não haja dúvida que a gestão de um clube desportivo realmente tem tudo a ver com tratamento de dor crônica, tendinites, lombalgia, disfunção eréctil ou bexiga hiperativa. Até mete dó ver um idoso vir à praça pública fazer um papel triste daqueles. Há muita gente que sustenta que se deve dar um desconto a Dias da Cunha por apresentar indícios de alguma senilidade devido a sua idade avançada mas, sejamos honestos, o homem sempre exibiu laivos de deficiência neurológica. Não é de agora.


E em pouco mais de uma semana fez-se jus a tal doutrina de que não há duas sem três. Na parte que me toca não estou tão convencido que se tenha tratado de mera sina. Eu também ouvi um sábio dizer um dia que uma vez é casualidade, duas vezes é coincidência mas à terceira é ação do inimigo.



Luís Teves

25/02/2021


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