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Luís Teves 22/04/2021 - A DEMOCRACIA NO “CLUBE DOS CORRUPTOS"



Há cerca de duas semanas recebi informação que o movimento “Servir o Benfica” tinha apresentado um requerimento ao presidente da Mesa da Assembleia Geral, acompanhado do registo de assinaturas que excedia o mínimo estabelecido pelos estatutos daquele clube, para a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária.


Li hoje, na edição online de um diário desportivo, que o referido movimento revelou esta terça-feira ter recebido comunicação por parte do PMAG do Benfica em que este confirmou a validação dos votos estatutariamente requeridos para convocatória da dita AGE. O movimento Servir o Benfica emitiu ainda um comunicado onde saudou a celeridade da resposta e disponibilidade demonstrada pelo PMAG em “contribuir para o debate democrático que só engrandece um clube que sempre fez dos valores da democracia seu apanágio”. Mais adiante, o comunicado refere que “Nada mais se deseja do que um Sport Lisboa e Benfica vivo e aberto ao debate interno.”


Para um clube considerado pela maioria dos sportinguistas como sendo liderado pelas pessoas mais corruptas no futebol português (e sob vários aspectos, com razão), este desfecho e a rapidez com que foi deferido o requerimento, não deixa de ser assinalável. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica, por quem eu pessoalmente não nutro nenhuma admiração, nesta circunstância cumpriu com a sua obrigação de respeitar os estatutos do clube; procedeu à validação das assinaturas, absteve-se de ajuizar sobre a “justa causa” que motivou o requerimento e comprometeu-se a dar voz aos sócios do clube em tempo útil.


No Sporting Clube de Portugal, um clube onde no seu mission statement se lê: “…O respeito pela tradição do Clube, pelos Sócios (indiscutivelmente, o seu maior património) e pelo desporto em geral são três pilares que o Clube sempre honrará…”, o mesmo não acontece. Como é do conhecimento geral, já por duas vezes dois grupos distintos de sócios sportinguistas apresentaram requerimentos para a realização de AGE’s com registos de assinaturas em conformidade com o que está estipulado pelos estatutos do Sporting, e que foram devidamente validados pelos serviços do clube, apenas para verem os seus propósitos e direitos ultrajados por um Presidente da Mesa da Assembleia Geral que se auto-proclama de democrata e defensor da liberdade e igualdade de todos os cidadãos, mas que na realidade age como um déspota à moda antiga.



Enquanto no “clube dos corruptos” se respeitaram os estatutos e será dada a voz aos sócios para livremente, e em local próprio, deliberar e decidir que rumo querem dar a sua associação, no actual Sporting, “clube dos ilustres democratas” despreza-se, desdenha-se e humilha-se os sócios, decide-se unilateralmente em causa própria e esmaga-se quem discorda dos Órgãos Sociais. No nosso clube aqueles que conseguiram enganar os sócios num determinado momento, sendo por eles “eleitos”, trataram de criar imediatamente dispositivos para se perpetuar no poder e impedir que os sócios se voltem a expressar e ameaçar o controlo entretanto instalado. No Sporting, existe um boneco que entrou no clube pelas mãos do seu irmão (como manda o nepotismo) e assumiu a presidência após uma golpada sem precedentes no desporto mundial, que tem o descaramento de fazer declarações à comunicação social apregoando a sua oposição a planos que vão “…contra todos os princípios democráticos e de mérito." Santa hipocrisia. Temos também um PMAG que publicamente, nas TVs, defende o Princípio da Presunção de Inocência, e o direito de qualquer cidadão arguido de exercer a sua defesa, quando foi ele quem colaborou na condução de um processo de expulsão de sócios a todos níveis hediondo, nojento mesmo, e presidiu a uma AG de expulsão num clima que se assemelhou a uma Inquisição.


Parece ironia do destino que actualmente no “clube da gentalha corrupta” estão a ser respeitados os estatutos e direitos dos sócios, enquanto que no “clube dos ilustres democratas” continuam a ser ignorados os estatutos e desprezados os direitos dos associados. Resta saber se em ambos os casos se trata apenas de uma questão de respeitar ou não a vontade e os direitos dos sócios garantidos estatutariamente, ou se num dos casos os associados são ignorados sem cerimônia porque não existe por parte dos Órgãos Sociais o mais pequeno receio de uma rebelião, tal é a inércia, a resignação, a indiferença, a ignorância e a cobardia dos sócios.


Quem diria?



Luís Teves

22/04/2021


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