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  • Opinião com Assinatura

Luís Teves 21/10/2020 - DEFESA DO CLUBE, OU GRITO DE DESESPERO?



Não costumo falar sobre resultados de jogos de futebol nem sobre polêmicas de arbitragens que prejudicam ou beneficiam o Sporting. Não é que estes temas não tenham importância, mas considero que, no grande esquema das coisas, existem incidentes e acontecimentos que são muito mais significativos, decisivos e relevantes para o futuro e viabilidade do clube. Por isso, e apesar de ter a minha opinião, não pretendo debruçar-me sobre se a decisão de reverter uma grande penalidade a favor do Sporting no último jogo com o FC Porto foi acertada ou não. Para mim, neste momento, tem muito mais interesse a reação e intervenção do Dr. Frederico Varandas após o jogo.


Tenho lido as mais variadas reações, nas redes sociais, de sportinguistas aos protestos do Dr. Varandas após o jogo. É desolador constatar que muitos adeptos enalteceram a intervenção do pseudo-presidente como sendo assertiva e em defesa do clube. Foram decerto enganados, porque as declarações de Varandas são um grito de desespero pela sua sobrevivência no poder. Se Frederico Varandas estivesse empenhado na luta pela verdade desportiva, e comprometido em fazer com que o Sporting seja respeitado, já teria contado tudo o que disse saber nos 11 anos que passou no futebol como prometeu fazer. Se ele quisesse justiça para o Sporting já teria cumprido a sua promessa e contado ao país o que aconteceu no campeonato da Liga de 2015/2016. Se não o fez foi porque não quis ou porque mentiu e não sabe de nada. Em qualquer dos casos perde toda a sua credibilidade quando aparece na televisão para criticar seja quem for.



Que moral tem para criticar a idoneidade de um árbitro, um homem que traiu aqueles com quem trabalhou, e colaborou activamente na maior golpada no futebol português? Que direito tem para questionar a seriedade de um árbitro, uma pessoa que compactua na organização de eleições com boletins codificados, que consente que seja retirada a voz aos sócios nas Assembleias Gerais, que desrespeita os sócios do clube e que ainda não cumpriu uma única promessa eleitoral?


Que integridade tem um homem que fala em escutas e processos judiciais quando foi ele próprio que decidiu que o Sporting não recorreria nos mesmos processos? Que dignidade tem alguém para falar de poder no futebol quando faz pactos de não agressão com a pessoa que ostenta este mesmo poder? Porque faz Varandas tanto barulho por causa de uma grande penalidade quando se mantém mudo perante as bárbaras agressões com armas brancas a sportinguistas por parte de adeptos do Benfica? Porque não fala o Dr. Varandas na vergonha que tem sido o processo judicial que envolve o animal que matou Marco Ficini?


Frederico Varandas não sabe, ou não quer, defender o Sporting nas grandes questões de fundo, porque não apresenta propostas concretas e abrangentes em defesa da verdade desportiva, da modernização do futebol português ou para melhorar a arbitragem. Não o faz porque é um preguiçoso, incompetente e sem ideias. E é isso que lhe retira toda a legitimidade para criticar o trabalho dos outros e exigir que façam melhor. Esta estupidez de dizer: “…quando os soldados não prestam, encostam-se…” revela uma falta de estratégia e responsabilidade assustadoras e só pode vir de alguém que não tem a visão nem o compromisso para mudar as coisas e por isso se limita a fazer intervenções avulsas, espalhafatosas e populistas. Infelizmente muitos sportinguistas deixam-se levar pela encenação, gritaria e pelo alvoroço de um presidente que não sabe fazer mais do que os enganar com a sua indignação artificial. Um clube nunca poderá ser verdadeiramente grande quando os seus sócios e adeptos se sentem mais indignados com uma penalidade não assinalada do que com o facto de não poderem participar numa AG ou serem obrigados a votar utilizando boletins numerados. Um clube nunca será verdadeiramente grande quando os seus sócios e adeptos se revoltam contra uma arbitragem mas ficam inertes quando o seu clube é tomado de assalto por quem já o prejudicou no passado. Um clube nunca será grande quando os seus sócios e adeptos preferem lutar contra quem o prejudica num jogo de futebol do que lutar contra quem está a conduzir o clube para o abismo. Não toleramos quem nos “rouba” um penálti, mas toleramos quem nos rouba a nossa paixão, o nosso orgulho, a nossa grandeza e os nossos direitos como sócios.


Da intervenção de Frederico Varandas retive um comentário que ele fez sobre Portugal porque acho que se adapta que nem uma luva a ele e ao Sporting. Por isso afirmo que o Sporting Clube de Portugal tem tudo para ser um clube fantástico. Mas infelizmente no Sporting para triunfar, vencer só por mérito e trabalho é muito difícil. Que o digam os membros do Conselho Directivo que lá estiveram de 2013 a 2018. Acrescento que se tivesse sido realmente por mérito e trabalho o Dr. Varandas nunca teria sido presidente do clube. Se lá está, deve-o à sacanice de muitos pretensos nobres sportinguistas, como o seu irmão e o sócio dele, bem como ao obséquio do sistema político, da justiça e de uma comunicação social corrupta. Ou seja, o Dr. Varandas não é exemplo para ninguém e quando se referiu aos valores dos quais não abdica pensei que ia explicar aos sportinguistas que valores ele trouxe ao clube para justificar que agora não se pague a quem se deve. Em tempos passados, se o ex-presidente do Sporting tivesse uma intervenção parecida com esta, teria sido acusado por todos os "jornaleiros e comentadeiros" de estar incitar a violência e a incendiar o futebol português. Hoje ninguém critica, sabe-se lá porquê. 


Nós, os sócios que amam o Sporting, bem estamos a tentar “encostar” um grupo de soldados que não prestam para coisa nenhuma e, por enquanto, estamos destinados a ter de viver com eles. Tenho saudades do tempo em que o Sporting tinha um presidente que guardava as pedras que encontrava no caminho e com elas construiu um pavilhão. Hoje, temos um fingidor que ignora as pedras e apenas apanha uns punhados de areia para atirar para os olhos dos sócios.

 

P.S. – gostava de informar o Dr. Varandas que não de diz “deminador comum”, mas sim “denominador comum”. Convém saber falar.



Luís Teves

21/10/2020


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