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Luís Teves 17/06/2021 - “Marta-rato” para uns - Mattamouros para outros



Nos últimos meses tenho limitado as minhas visitas às redes sociais porque fico deveras enervado quando vejo um elevado número de sportinguistas a exibir aquela ostentação, pavoneio e fanfarronice que ao longo da minha vida aprendi a detestar nos adeptos do nosso clube rival. Para além disso, irrita-me sobremaneira ver, e ler, comentários de gente acéfala que há meses estava contra a actual direcção do Sporting e agora só sabem cantar os louvores de Varandas e seus pares. Para mim é quase tão doloroso como assistir a um jogo da seleção de Portugal e ter que gramar, a toda a hora, ver nas imagens o focinho do Rui Patrício, do William Carvalho e do Bruno Fernandes. É tão agradável como espetar uma agulha nos olhos.


No entanto, nos nossos dias é quase impossível ignorar e evitar as redes sociais por completo, e de quando em vez dou por mim no twitter ou no facebook. Na última semana, deparei-me com um post no facebook feito por alguém que dava a entender ter conhecimento que o ex-PMAG do Sporting, Jaime Marta Soares, terá recebido uma quantia de três milhões de euros da Holdimo (de Álvaro Sobrinho), para facilitar a golpada que resultou na destituição e expulsão de Bruno de Carvalho do Sporting. Segundo o autor do post, esta situação terá sido motivada pela mais que certa redução na percentagem de capital que a Holdimo detém no clube quando fosse executado o plano de reestruturação financeira que Bruno de Carvalho estava a negociar.  Não tenho o menor propósito de suster, corroborar, apoiar ou até alimentar a teoria que o autor do post apresentou porque não tenho conhecimento nem provas para o fazer.


O que é certo é que todo procedimento de Marta Soares no verão de 2018 teve a sua quota de bizarro, grotesco e surreal. Não é todos os dias que o PMAG de um grande clube desportivo se demite das suas funções publicamente, e em directo, em todos os canais de televisão nacionais. Menos frequente ainda é que depois de o fazer do modo mais público que há, o dirigente demissionário alegue nunca se ter demitido. Ainda mais invulgar é constatar que existe quem aceite tal justificação como sendo a coisa mais natural deste mundo. Mas tudo isto se passou, tal como também foi verdade que Marta Soares se apoderou de uma pen-drive com dados pessoais dos sócios e que não validou nenhuma assinatura para a realização de uma AG destituitiva. Também é verdade que o “Marta-Rato”, como lhe chamo, afirmou publicamente que Bruno de Carvalho teria todo o direito de apresentar uma lista a futuras eleições, para depois rejeitar liminarmente a sua candidatura. Não faço a mínima ideia se Marta Soares foi compensado por alguém para viabilizar e facilitar uma golpada nunca antes vista num clube desportivo. Mas podemos inequivocamente constatar que consumado o “coup d’etat” no Sporting, o antigo PMAG nunca mais apareceu em cena e deixou de marcar presença nas assembleias gerais do clube. Não deixa de ser estranho que quem justificou toda aquela confusão como sendo unicamente na defesa dos superiores interesses do Sporting, tenha logo em seguida, perdido todo o seu entusiasmo e sentido de compromisso . É o protótipo do “sportinguista” que pretende obter uma posição de destaque no clube apenas para satisfazer a sua sede de protagonismo , alimentar o seu ego e colher os benefícios que puder. Como este, temos muitos “Marta-Ratos” sportinguistas que corroem o clube por dentro.


Em contrapartida existem pessoas que, com firmeza e determinação, lutam “cá por fora” pela transparência, contra a degeneração ética e corrupção bem como contra aqueles que violam os estatutos dos seus clubes. Parece ser este o caso de um jovem advogado, sócio do Benfica de seu nome Jorge Mattamouros. O nome Mattamouros não deixa de ser engraçado nesta situação. Aparentemente a  palavra “mouro” tem origem no nome latim “mauro” que significa “de pele escura”. Nada mais adequado uma vez que Mattamouros interpôs uma acção cível contra o presidente Luís Filipe Vieira onde alega o envolvimento deste em negócios obscuros e sombrios que utilizam dinheiro do clube para a sua empresa, a Promovalor. Segundo Mattamouros o Benfica está numa “crise institucional profunda”, devido à “decadência moral personificada em Luís Filipe Vieira” e à “instrumentalização do clube para um sem número de práticas ilícitas e eticamente censuráveis que servem os interesses pessoais do presidente, em detrimento dos interesses do clube”. Sendo do conhecimento geral que Luís Filipe Vieira tem, ao longo dos anos, cultivado amizade e relações de influência com várias personalidades com altos cargos nos sectores políticos, judiciais e financeiros, bem como na comunicação social, tenho que salientar o meu respeito e admiração pelo arrojo e coragem deste jovem advogado. Pode ser que um homem que vive nos Estados Unidos e que por isso não precisa de favores, de compadrios ou nepotismo para viver e estabelecer a sua carreira profissional, possa dar um contributo positivo e decisivo na luta contra a corrupção no dirigismo desportivo em Portugal. Está mais que visto que se depender de quem vive aí, podemos esperar sentados.


No meu Sporting seria também salutar que surgisse alguém com a mesma audácia, determinação e conhecimento de causa para derrotar e punir aqueles que são responsáveis pelos constantes atropelos aos estatutos do clube, pelo déficit democrático instalado, e afastar todos os que tem contribuído para a intensificação da opacidade na gestão do clube. O Sporting precisa que desapareçam os Marta-Ratos e que despontem uns Mattavarandas ou MattaAlves.



Luís Teves

17/06/2021



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