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  • Opinião com Assinatura

Luís Teves 14/10/2020 - REGRESSO DE FÉRIAS



Fiz umas pequenas férias de seis dias. Decidi ir para um lugar calmo onde pudesse desfrutar da natureza, e onde fosse possível fazer actividades ao ar livre para minimizar o risco de contrair o famigerado vírus Covid19.  Passei uns dias muito agradáveis na Reserva Florestal das Montanhas Brancas, no lindíssimo estado de New Hampshire, onde fiz caminhadas em alguns trilhos magníficos, com lindas paisagens de vegetação verde misturada com laranjas, amarelos e exuberantes vermelhos. Desfrutei de belas cascatas, de ar puro e de dias passados num lugar paradisíaco onde a rede telemóvel não chega e onde não é possível estar constantemente ligado às redes sociais.

Este último aspecto terá sido o mais saudável para um homem com mais de cinquenta anos de sportinguismo e com dois anos e meio de amargo sofrimento por tudo o que tem acontecido no Sporting Clube de Portugal. Foram seis dias em que não tive conhecimento de fraudes, desfalques, negociatas, velhacarias e trapaças. Seis dias em que não me lembrei da vergonha que sinto dos Órgãos Sociais do meu clube, em que não senti o seu desrespeito e desdém por nós, os associados do clube. Seis dias em que esqueci a ansiedade e o desânimo pela inércia e letargia dos sócios, e em que a impaciência, a ansiedade e a irritação foram por pouco tempo adiadas.

No entanto, tudo tem o seu fim e, regressado a casa, tive forçosamente de me actualizar e descobrir o que se tinha passado em quase uma semana de ausência. Confesso que fiquei incrédulo com a quantidade de idiotices, inépcias e imbecilidades que acontecem neste grande clube em poucos dias. Começando pelos detalhes fornecidos pelo CD sobre as contratações mais recentes verifiquei que após um período em que houve uma preocupação, por parte do anterior CD, em adquirir a totalidade dos passes dos jogadores de futebol da equipa profissional, voltamos à velha e patética estratégia de pagar por percentagens de passe de jogadores. Pagaram 6,5 milhões por metade do passe de um atleta com valor total de mercado de 7,7 milhões, ou seja, quase o dobro do que ele vale. Nunca na vida tinha tido conhecimento de um negócio onde 90% de uma futura venda de um jogador contratado ficassem alienados à partida.  Fiquei a saber que o Sporting foi pioneiro nesta idiotice. Apurei de igual forma que foi vendido mais um jogador contratado pelo anterior presidente (Wendel). Ao que parece quando há necessidade de verbas vende-se um jogador contratado pela antiga direção. Pelas minhas contas restam apenas dois no plantel principal, Coates e Ristovski, e o grande gestor, Varandas, ainda não vendeu um único jogador por ele contratado, porque ninguém os quer. Juntamos a isto o facto das receitas do contrato da NOS estarem antecipadas até 2022 e o futuro não me parece muito risonho. Como se isto não bastasse pasmei ao descobrir mais uma inovação do Dr. Coragem que aceitou pagar montantes por cada ano de contrato cumprido por um grupo de jogadores. Digo Dr. Coragem porque é preciso ter muito arrojo para fazer negócios tão prejudiciais para o clube só para fazer o jeitinho aos amigos.



Rebobinando os acontecimentos da semana, constatei que a “brigada do croquete” não desiludiu e desdobrou-se no seu habitual chorrilho de asneiras. O filho do fadista, a quem deram um tacho no clube, demonstrou a sua total falta de profissionalismo ao fazer um post numa rede social sobre uma eventual proposta do Sporting para contratar o avançado Paulinho ao SC Braga. Uma tentativa de humor própria de um adolescente entediado, que em nada prestigia um clube com o historial do Sporting. Mas o Miguel Braga não se ficou por aqui e acusou os sócios de estarem a sabotar a união do Sporting. Para além de infantil e pouco profissional o rapaz não tem auto-estima, canta o que o Varandas lhe manda cantar. Um inútil.

Por falar em Inúteis, houve mais alguns velhacos que “abrilhantaram” a semana em que estive ausente. Henrique Monteiro defendeu a criação de uma espécie de senado como órgão de consulta da Direcção para tirar a aprovação de contas aos sócios. Este traste, teve o desplante de sugerir que esta seria uma forma mais “democrática e mais clara”. A reprovação do Orçamento e Relatório de Contas na última AG já motivou esses parasitas para formularem esquemas que possam contornar a vontade soberana dos sócios, e nem têm vergonha de os apresentar como sendo mais democráticos. O Sr. Monteiro é apenas mais um cancro que pretende roubar o clube aos sócios. Querem democracia? Só há uma via….UM SÓCIO UM VOTO!

Evidentemente, uma semana não ficaria completa sem a crónica “diarreia mental” de Barbosa da Cruz. Desta vez presenteou-nos com a ideia parva de que a decadência competitiva do Sporting é culpa dos sócios. Podia ter quantificado e ter dito que a culpa é de 71% dos sócios que alguém considerou terem votado de determinada forma numa Assembleia Geral. Eu tomaria a liberdade de qualificar esta afirmação e acrescentar que a culpa é daqueles sócios que andam a gravitar em volta do Sporting, a servir-se do clube, a desbaratar o seu património, a esconder a verdade aos sócio, a fomentar o nepotismo e a encher os seus bolsos. Falo obviamente da corja que lá está de novo com o apoio do distinto jurista. Para fechar com chave de ouro não poderia ignorar as declarações do juiz Joaquim Baltazar Pinto, presidente do CFD, que depois de revelar que no Sporting matam-se todos uns aos outros veio apelar para que os sócios respeitem quem foi legitimamente eleito. Responder-lhe-ia que apenas respeito quem me respeita o que, como é evidente, lhe exclui a ele que para além desrespeitar os sócios do clube, protege os outros que nos desrespeitem também.



Mas não foram apenas casos negativos que ocorreram enquanto estive de férias. Um clube da região do norte realizou uma assembleia geral para discutir e apreciar o seu orçamento e relatório de contas sem que os seus sócios fossem impedidos de participar activamente e colocar as questões que bem entendessem antes da votação. Eu por mim, trazia para Lisboa o PMAG do Vitória de Guimarães para substituir o ditador que temos no Sporting. Pelo menos mostrou saber organizar uma AG sem desrespeitar os direitos dos associados do seu clube. Por outro lado, foram submetidas ao PMAG do Sporting várias petições para a convocação de AGs para a destituição de todos os Órgãos Sociais do clube e reintegração como sócios de Bruno de Carvalho e Alexandre Godinho; petições que subscrevi com muito orgulho. Resta saber se Rogério Alves vai cumprir com a sua obrigação de forma ética e imparcial reconhecendo que, como PMAG, está lá apenas como sócio e não como jurista, sendo que, nesta condição, não tem o direito de decidir sobre a legalidade de coisa nenhuma ou sobre a existência, ou não, de justa causa. A sua obrigação é simplesmente cumprir os estatutos do clube, nada mais.

Este regresso à realidade após uma semana de ausência convenceu-me ainda mais que o Sporting não tem futuro enquanto estes dirigentes, e seus cartilheiros, estiverem no activo. Os sócios do Sporting necessitam de fazer uma limpeza geral no clube que resulte no afastamento em definitivo desta “gentalha”, arrogante e convencida, que anda há décadas a minar um clube que deveria ser grande, mas que deixou de o ser. Sei muito bem quem deveria ser expulso de sócio; são umas dezenas de malfeitores engravatados com botões de punho dourados que se fazem passar por sportinguistas.



Luís Teves

14/10/2020



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