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Luís Teves 13/05/2020 - NOTAS SOLTAS SOBRE UMA SEMANA À PORTUGUESA

Às vezes torna-se difícil escolher um tema para escrever sobre o futebol em Portugal. Não é que não existam assuntos de sobra; pelo contrário tenho, por vezes, uma enorme dificuldade em escolher entre tantos disparates, absurdos e algumas coisas sérias.

A começar pelo que é sério, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, declarou que não renovaria o estado de emergência no país. Para uns foi uma boa decisão e para outros uma resolução prematura que pode ter consequências indesejadas. Para o Sporting, isto significou o regresso do capitão-médico- presidente às suas funções no CD do clube. Deve haver muito trabalho invisível por fazer para os lados de Alvalade porque, terminado o estado de emergência, o abnegado doutor não voluntariou nem mais uma hora do seu tempo para o combate ao Covid-19. Logo ele que foi a correr, tirar fotografias, para o hospital do exército quando o mesmo foi decretado. Deve ser agora que as dívidas serão liquidadas.


Mas se não forem não está tudo perdido, pois algo me diz que o Dr. Varandas a qualquer momento nos pode brindar com alguns hilariantes momentos de comédia, para aliviar estes dias “estristes” em que vivemos. Com sorte, ainda aprendemos um ou dois provérbios populares inéditos, imaginados pelo seu profícuo desatino. Sucedeu-se uma reunião do Primeiro-Ministro com os presidentes da Liga, FPF e dos três grandes clubes portugueses para discutir o futuro da época desportiva. Mais uma vez ficou provado que os outros clubes intervenientes nas competições nacionais, ou nomearam os presidentes do FC Porto, Benfica e Sporting como representantes dos seus interesses, ou então foram, mais uma vez, insultados e desprezados. A Liga e FPF têm presidentes eleitos para representar os clubes e as Associações de Futebol. Não vejo porque estes seus presidentes, legitimamente mandatados, não podem discutir os assuntos do futebol com o governo sem ter de trazer três muletas consigo. Se calhar foi uma medida eleitoral mesmo que não seja tempo de eleições.

Destas reuniões resultaram decisões que não fazem o menor sentido, mas que o governo, Liga e FPF tomaram fundamentados e afiançados pela sábia opinião do Dr. Frederico Varandas que, ao contrário daqueles aprendizes do Comité Médico da FIFA, é um profissional actualizado, responsável e cientificamente brilhante. Que jeito dá ter um candidato a um Nobel da Medicina como presidente de um clube desportivo. Então, vai jogar-se o que resta do calendário da Liga NOS mas as restantes competições de futebol e de todas as outras modalidades foram dadas por terminadas.


Ninguém percebe bem porquê mas assim será. Sobe quem eles gostam e desce quem eles não gostam. Há quem diga que isto é tudo motivado pelo dinheiro; outros pensam que é pelo facto de um determinado clube não estar em primeiro na tabela. O que gostava de saber é o que acontecerá se esse tal clube passar para o primeiro lugar e se, depois disso, algum jogador de um clube qualquer contrai o corona vírus. Aí o campeonato deve findar de imediato e a classificação legitimada, prevejo eu. São coisas sem pé nem cabeça ou, como diria o outro, coisas com tronco, membros e pernas.

Como se não bastasse de disparates, o Dr. Fernando Gomes apresentou a sua lista para as eleições da FPF na qual designa para presidir ao Conselho de Disciplina, a deputada socialista Cláudia Santos. Misturar futebol com a política já de si não é recomendável, mas escolher uma pessoa que para ser presidente da Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga, teve de ser previamente aprovada pelo Benfica, é coisa que só lembraria ao diabo. Está assim garantida a isenção na disciplina da FPF com esta “doente pelo Benfica” ao leme do CD. Até o jornalista que escreveu o já célebre artigo do NY Times sobre o clube como estado soberano, sentiu a necessidade de fazer um tweet sobre este assunto. Mais não digo.



Para colorir um pouco o ramalhete, um ex-membro do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, defendeu que já é tempo de dedicar um espaço no Museu do Sporting a Eusébio, aquele que nos deu tantas alegrias, que tantos títulos ajudou a conquistar para o Sporting e a quem nós, carinhosamente, conferimos o cognome de Rei. Esta ideia deve ter como objectivo premiar o Pantera Negra por ter rotulado o Sporting como um “clube racista” numa das suas entrevistas. Já agora, tentemos arranjar um cantinho lá no museu para homenagear o António Simões e o José Augusto que, se não me engano, tinham uns primos distantes que eram sportinguistas. Ou então coloquem lá um busto do Luís Pina, aquele animal que assassinou Marco Ficcini, em frente ao Estádio da Luz, ao lado de uma estátua do Sousa Cintra. Só o nosso “consórcio” Carlos Vieira saberá o que tem dentro da bilha, mas agora já sei com quem falar quando precisar de alguma substância para me toldar os neurónios.

Seguiu-se a tão antecipada entrevista do presidente do Sporting, que mais não foi do que um hino ao herói de Kandahar, matador de pandemias e herdeiro de uma pesada herança de 515 milhões de euros.

Ficámos elucidados sobre a sua popularidade uma vez que já o reconhecem, mesmo por detrás de uma máscara, apenas pelos seus lindos olhos. Que se cuide o Prof. Marcelo pois agora tem um sério competidor na arte de tirar selfies à distância. Depois dizem que a vaidade não vende.



Finalmente, já no final da semana, uma boa notícia para todos nós que nunca duvidámos da inocência do Dr. Bruno de Carvalho. O colectivo de juízes do caso Alcochete resumiu a acusação do Ministério Público, assinada pela procuradora Cândida Vilar, de 143 páginas para apenas 19. Ou seja,  as juízas Sílvia Rosa Pires, Fátima Almeida e Dora Fernandes, consideraram que a “redacção da acusação” inicial tinha “alguma matéria repetida e sobreposta, misturando factos objectivos e elemento subjectivo dos vários tipos de ilícito” e, por outro lado, retiraram do documento todos os meios de prova, tendo em conta a que foi produzida em julgamento.


Trocando em miúdos, tiraram de lá uns quantos fardos de palha que a Dra. Cândida Vilar deu aos portugueses para comer, e confirmaram o que a procuradora Fernanda Matias tinha referido que “não se fez prova que Bruno de Carvalho tenha tido alguma ligação ou que tenha dado instruções para o ataque”. Já vários “comentadeiros” da nossa praça vieram a público afirmar que este era um desfecho previsível dadas as dificuldades de provar o envolvimento do então presidente do Sporting, no ataque de Alcochete, com factos e dados concretos.


Mas pensavam eles que se provava com quê? Com boatos, insinuações e assassínio de carácter nos jornais? Esperemos sentados para ouvir o que a gordurosa da CMTV terá a dizer quando acordar do pifão. Sentados devemos ficar também enquanto esperamos pela clarificação do Dr. Dias Ferreira sobre o que realmente quis dizer quando afirmou não ter dúvidas do envolvimento de Bruno de Carvalho no ataque a Alcochete, declarando-o um criminoso. Na sua qualidade de jurista devia ter sido mais comedido e prudente nas suas acusações pois ele, melhor do que ninguém, devia saber que acusar alguém sem provas pode constituir crime de calúnia, difamação e injúria, e que pode resultar numa penalidade de detenção e multa. Tem agora a palavra quem foi injuriado, difamado e caluniado – espero eu.

Tudo isto em pouco mais de uma semana. Como dizem os mais antigos lá na minha terra: é obra!

Aguardemos para ver quais os acontecimentos que a próxima semana nos trará. Entretanto mantenham-se bem caladinhos e…”Não estraguem o que está a ser arranjado!”



Luís Teves

13/05/2020


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