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Luís Teves 10/06/2021 - IGNORANTE, EXPLORADOR E….CRIMINOSO?



O Dicionário Cambridge define a palavra “Explorador” como aquele que se utiliza abusivamente algo ou alguém. Ou seja, um explorador é uma pessoa que abusa ou se aproveita de algo ou alguém, geralmente em benefício próprio e que tende a retirar algo encontrado ou obtido, o que normalmente pode prejudicar outras pessoas, organizações ou locais. Já utilizei muitos adjectivos para qualificar o pseudo-presidente do Sporting, a quem eu carinhosamente chamo “O Ignorante”, mas é a primeira vez que uso esta palavra que, diga-se, lhe assenta como uma luva.  Por vezes cansa comentar sobre a mesma pessoa com tanta frequência, mas as constantes imbecilidades, idiotices, narcisismo e velhacaria de Varandas a isso obrigam.


Tomei conhecimento, na passada semana, que Aurélio Pereira publicou um livro sobre suas memórias em colaboração com o jornalista Rui Miguel Tovar. O livro contém um contributo de Frederico Varandas no qual são descritos episódios que aparentemente levaram à consumação da contratação do atleta Luís Maximiano pelo Sporting. Segundo Varandas, Aurélio Pereira ter-lhe-á sugerido uma “engenhoca” para ultrapassar as dificuldades na contratação do jogador que tinha uma proposta "impossível de igualar” de um clube rival. Aurélio Pereira, tendo conhecimento que a irmã do jovem “Max” aguardava uma consulta pediátrica no Hospital de Santa Marta em Lisboa, em virtude de ter um problema cardíaco, pediu a Varandas para utilizar os seus contactos e influência naquele hospital para acelerar o processo da irmã do jovem jogador e assim fazer com que o dinheiro deixasse de ser factor decisivo nas negociações. Frederico Varandas relata então que ele próprio, servindo-se do facto de ter feito a sua “especialidade” (não sei em que) no Hospital de Santa Marta, rapidamente “agilizou todo o processo” acelerando a realização da intervenção cirúrgica, que correu maravilhosamente, possibilitando desta forma a contratação do jogador.


Esta história que Varandas divulga no livro pode, para muitos, parecer uma narrativa de um caso com um final feliz, onde tanto o Sporting como a jovem irmã do “Max” saíram a ganhar. No entanto, se for examinada sob o prisma da ética, dos princípios, dos direitos dos cidadãos, e das normas morais, espelha muita da podridão, perversão e imoralidade que impera na sociedade portuguesa. E como já é habitual esta história também diz muito sobre a indecência, falta de carácter, imodéstia e desrespeito, por parte de Frederico Varandas, pelo seu dever deontológico, porque ele próprio revela que simplesmente se borrifou para os preceitos que norteiam a prática da medicina.



Em primeiro lugar, e como seria expectável, Varandas agarrou a oportunidade para se promover, fazendo juz a sua tendência para a arrogância, vaidade e auto-elogio barato. Escolheu como contributo para o livro, um episódio onde ele, sob o manto do enaltecimento a Aurélio Pereira, acaba por ser o grande protagonista, que de forma abnegada veste a capa de super-herói e resolve um problema que mais ninguém seria capaz de solucionar. Varandas demonstra, mais uma vez, que é incapaz de deixar passar a menor oportunidade sem se pôr em bicos dos pés e dela tirar partido para endeusar a sua imagem. E um explorador nato…ou será rato? Já vi escrito nas redes sociais que Aurélio Pereira merecia mais, mas confesso que discordo. O Sr. Aurélio é um dos autores do livro e decerto concordou em inserir no livro o contributo de um convencido gabarola. Não me passa pela cabeça que não tenha lido o texto em questão antes da publicação da obra. Se, mesmo assim, optou pela sua inclusão não tem mais do que aquilo que merece.


Em segundo lugar, a história que Varandas descreve reflecte um completo desrespeito pelo funcionamento equitativo e imparcial do sistema de saúde onde ele está inserido. Enquanto todos nós nos podemos congratular com o resultado positivo para a irmã de Luís Maximiano, não podemos ignorar que consequências este despacho poderá ter tido para terceiros. Quantas pessoas tiveram que ver a resolução dos seus casos adiada para que o caso desta jovem fosse “agilizado”? Terá esta situação tido repercussões prejudiciais para terceiros? Mais grave ainda é que Varandas admite, sem pudor, que utilizou uma posição de prestígio, influência ou comando, para obter favor, vantagem ou promessa de vantagem para si ou, neste caso, para terceiros, influindo, desta forma, em actos praticados por funcionários públicos no exercício da sua funções. Isto tem um nome....chama-se Tráfico de Influências, que tem enquadramento legal punível por lei.


Finalmente, podemos ainda reflectir sobre esta história, sob o ponto de vista do direito à privacidade e confidencialidade dos cidadãos naquilo que diz respeito à sua informação pessoal em matéria de saúde. E também devemos considerar o dever dos profissionais de saúde de manter sigilo sobre toda a informação daqueles cidadãos com quem trabalham. Um sistema com fortes mecanismos de proteção dos dados de informação das pessoas promove a confiança do público nos serviços de saúde. A manutenção do sigilo é essencial para promover uma comunicação eficaz entre o doente e o profissional de saúde, é um factor vital na luta contra o estigma social e descriminação que frequentemente levam à marginalização. Todo o cidadão tem o direito de determinar se alguma informação pessoal pode ser divulgada publicamente. Neste caso, tratou-se de um problema cardíaco, mas poderia ter sido um caso de HIV, de toxicodependência ou outro qualquer.  Varandas, sendo médico, tem obrigação de saber tudo isto melhor do que ninguém mas ou não sabe ou, para se enaltecer, não lhe interessa saber. É um explorador!


No país onde vivo este “testemunho” do Dr. Varandas decerto que lhe iria colocar em maus lençóis, porque me parece evidente que para além de admitir ter cometido o crime de Tráfico de Influências, violou o direito à privacidade e confidencialidade dos dados médicos de uma cidadã. Tenho a certeza que nos Estados Unidos tanto o Ministério Público como a Ordem dos Médicos se debruçariam sobre este assunto mesmo na ausência de qualquer participação por alguém. No entanto, em Portugal, este energúmeno ainda se gaba de desrespeitar a lei e justifica os seus actos como sendo “outros valores que se levantaram”. É triste constatar que em Portugal tudo é aceite, legitimado, tolerado e ignorado porque o país vive viciado num sistema podre e caduco… o sistema do quid pro quo.



Luís Teves

10/06/2021


 

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