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Luís Teves 05/08/2020 - IRÃO ENFIAR-NOS O I-VOTING PELA GARGANTA ABAIXO?



Os sistemas de votação que dependem da Internet estão a tornar-se rapidamente num tema de discussão e conflito sobre a sua real fiabilidade e robustez contra o hacking. Este desenvolvimento aparece quando muitos países estão a considerar potenciais mudanças nos seus procedimentos eleitorais em resposta à pandemia do coronavírus.


Em Maio de 2020 num artigo publicado no Washington Post o jornalista Joseph Marks divulgou que o Department of Homeland Security dos Estados Unidos, o FBI e a Election Assitance Commission enviaram notificações a todos estados norte-americanos alertando sobre os grandes desafios de cibersegurança que os sistemas de votação pela Internet apresentam. Segundo estas agências governamentais existe um elevado risco que hackers podem alterar elevados números de votos, impedir que votos sejam registados e até minar o sigilo das votações.


Estas organizações avisaram todos os estados americanos para terem muita cautela antes de partir para um processo que poderá expor os seus sistemas eleitorais aos perigos do hacking dizendo explicitamente que não aprovam o I-Voting, classificando-o mesmo como um sistema sujeito a alto risco de adulteração.


Os peritos em cibersegurança do Department of Homeland Security foram inequívocos na sua afirmação que a votação pela internet não é confiável porque existe um alto grau de probabilidade que a integridade do processo eleitoral seja comprometida.

Registe-se que a Divisão de Cibersegurança do Department of Homeland Security tem vindo a estudar a possibilidade de I-Voting há vários anos. Esta organização tem ao seu serviço muitos dos melhores cientistas de computadores do mundo que monitorizam e defendem os sistemas informáticos dos EUA contra ciberataques que muitas vezes tentam danificar infra-estruturas americanas. Um trabalho hercúleo que, mesmo contando com vastos recursos de pessoal e de capital, não consegue, mesmo assim, garantir a total impenetrabilidade dos sistemas informáticos e das bases de dados.



Em contrapartida, o Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal informou, em comunicado, que recebeu o relatório final do Grupo de Trabalho constituído para o estudo da introdução do I-Voting nas assembleias gerais do clube. Este Grupo de Trabalho, que não incluiu um único especialista em cibersegurança, fez um estudo em menos de um mês, e concluiu que existe total viabilidade legal e técnica para a implementação do sistema de I-Voting  no Sporting, propondo uma revisão dos estatutos visando a introdução do mesmo. Este Grupo de Trabalho, liderado pelo rigoroso e imparcial presidente da Mesa da Assembleia Geral, o ilustríssimo Dr. Rogério Alves, garante que a introdução do I-Voting  deverá garantir em qualquer caso o segredo do voto e a autenticidade do meio utilizado e dos resultados.

 

Aos senhores responsáveis pelo FBI e pelo Department of Homeland Security dos Estados Unidos, só tenho isto a dizer: sois uns amadores ignorantes! Faço-vos uma sugestão para contratarem imediatamente os membros deste Grupo de Trabalho que o Dr. Varandas nomeou e aprendam como se garante a fiabilidade de um sistema de I-Voting em três semanas. Um pequeno investimento de, sei lá, talvez 10 milhões de euros, pode garantir-vos as soluções que procuram há mais de uma década. Para além disso, poderão também obter valiosas lições sobre raptos de meninas inglesas, soluções para o Covid-19 e, quiçá, uma ou duas dicas sobre tapetes de Arraiolos e renda de bilros, ou ainda ficarem educados sobre como ignorar e desrespeitar os estatutos de um clube desportivo. Com alguma sorte ainda podem ficar a saber com fazer um churrasquinho pós-eleitoral ou como por mortos a votar, tudo incluído no preço. O Sporting tem vários especialistas bastante experientes nestas matérias.

 

Este Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal é uma anedota, e se o caso não fosse tão serio isto dava mesmo só para rir. Quando o Department of Homeland Security do tecnologicamente mais avançado país do mundo adverte contra a falta de fiabilidade do I-Voting após anos de investigação, mas um Grupo de Trabalho no Sporting composto por meia dúzia de palhaços garante a sua viabilidade técnica, após um estudo de quinze dias, está tudo dito. Saliente-se que o comunicado do Conselho Directivo do Sporting nem sequer mencionou quais as medidas apresentadas pelo Grupo de Trabalho que serão implementadas como garantia que este sistema não poderá ser adulterado. É mais ou menos daquele tipo de comunicado que diz: acreditem em nós…o sistema é impenetrável!

 

Eu nunca acreditei, nem acreditarei em nada que o Conselho Directivo do Sporting diz ou escreve. Digo o mesmo em relação à Mesa da Assembleia Geral. Estes senhores têm demonstrado cabalmente que não hesitam em utilizar todas as ferramentas ao seu alcance para manipular votações. Infelizmente os sócios queixam-se mas nada fazem para alterar o rumo das coisas…são uns inertes e acomodados totós.

 

Os sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal mataram a galinha dos ovos de ouro e depois decidiram meter um grupo de raposas a guardar o galinheiro. Só falta mesmo agora fazerem-lhes um arroz de cabidela para acompanhar o repasto. Eles agradecem!

 

Eu digo não ao I-Voting no Sporting. E digo mais…#AcordaSporting.



Luís Teves

05/08/2020


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