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Luís Teves 02/12/2020 - BERRAR PARA CIMA E CALAR PARA O LADO



O actual responsável de comunicação do Sporting tem andado bastante atarefado nos últimos dias envolvendo-se em picardias fúteis e, a meu ver, incoerentes com qualquer indivíduo lá no norte que lhe dê troco. Registe-se que está a seguir as pegadas, e instruções, do presunçoso interesseiro que o contratou e que agora decidiu calar-se uma vez quem já tem um processo em tribunal e dois outros no Conselho de Disciplina da FPF. É pena que o Miguel Braga não tenha nascido com talento para cantar o fado porque se assim fosse, era menos um que andava a rapar o tacho no Sporting enquanto envergonha os sócios que lhe pagam o ordenado.


Escrevi acima que são acintes incoerentes pela simples razão que são direccionados sempre ao mesmo e único destinatário quando se justificava, talvez com maior legitimidade, que as alfinetadas e as críticas fossem apontadas igualmente a outro alvo. Não me parece ser muito apropriado que um clube que não recorre de uma decisão do Ministério Público de não levar a julgamento uma SAD envolvida no processo E-Toupeira, dê instruções ao seu ponta-de-lança da comunicação para acusar o clube nortenho de pressionar os árbitros e os jornalistas. Parece-me igualmente inadequado que o presidente do Sporting se sinta à vontade para rotular o seu homólogo portista de “bandido” quando, por detrás das cortinas, se senta à mesa com um presidente que está arguido em processos de corrupção, que é suspeito de ter comprado jogos, de ter influenciado classificações de árbitros e de ter praticado um sem número de ilegalidades em benefício do Benfica.


O Sr. Pinto da Costa pode, em tempos, ter agido de forma menos ética mas não me lembro de ouvir sobre buscas quase semanais pela PJ nas Antas ou no Dragão. Pode ter feito alguns negócios menos transparentes mas não me lembro de ler, ou ouvir, que tenha tido dívidas de centenas de milhões de euros à banca, pagas pelo povo português, ou feito negócios com clubes que não existem. O FC Porto até pode ter ganho um ou outro campeonato com algumas benesses mas, pessoalmente, nunca vi nada como o campeonato de 2015/16 que, como o Dr. Varandas disse saber, nos foi indignamente roubado à descarada. Nunca na era pós 25 de Abril, uma organização teve o poder institucional em Portugal que o Benfica de hoje continua a ter. O Porto dos anos 80 estava a léguas de distância e nunca conseguiu fazer o que o Benfica de Luís Filipe Vieira fez: executar e materializar um plano para dominar o panorama social e aumentar o poder do clube sobre os políticos, justiça e jornalistas nacionais. Nunca nos anos 80 se ouviu um ministro da república dizer que o FC Porto estava acima da lei, mas estas coisas não têm o menor interesse para o Sr. Miguel Braga e o seu patrão. O que interessa são as mesquinhices avulsas sobre o VAR que servem para entreter aqueles coitados que não conseguem ver a floresta porque as árvores estão à sua frente.  


Esta direcção do Sporting Clube de Portugal, desistiu da luta pela justiça e pela verdade desportiva no dia em que tomou posse. Neste aspecto, e em muitos outros, são uns frouxos cobardes que não estão empenhados em resolver as questões de fundo do desporto português aceitando viver numa condição de subserviência, aos donos disto tudo, a troco de umas crónicas e comentários com elogios infundados que lhes ajudem a permanecer num lugar que legitimamente não lhes pertence e para o qual não têm a menor competência.

Percebo que, em virtude da contestação a que estão sujeitos, Miguel Braga e seu chefe queiram mostrar que “estão activos, que são defensores dos sócios, mas já ninguém vai nisso” porque apenas reclamam contra um clube do norte mas são uns cordeirinhos mansos quando se trata do vizinho do outro lado da rua que ao longo dos anos tem prejudicado o nosso clube mais do que ninguém.


Ninguém é perfeito e Francisco J Marques deve ter os seus defeitos mas se Miguel Braga se quer pôr em bicos dos pés e ombrear com o seu homólogo portista faria melhor se aproveitasse o tempo de antena de que dispõe na Sporting TV, para denunciar a corrupção e todas as trapaças e ilegalidades feitas pelos dirigentes do Benfica em vez de se limitar a redigir comunicados inócuos e apalermados quando um animal dos No Name Boys é condenado a uns míseros quatro anos de prisão pelo assassínio de um adepto leonino. Se calhar ninguém nunca lhe disse que o silêncio é sinônimo de cumplicidade. Para além disso também ficava bem ao Sr. Braga estudar os estatutos do clube onde supostamente trabalha porque poderia evitar intervenções ignorantes, ou talvez hipócritas, como a que teve recentemente em que afirmou sobre os recentes pedidos de assembleias gerais que “a Mesa da MAG vai pronunciar-se a seu tempo, dentro da lei”. Decerto que Miguel Braga não se referia aos estatutos do Sporting porque o prazo neles estipulado há muito foi ultrapassado sem que a Mesa da MAG se digne dar qualquer satisfação aos sócios. Mas se calhar o Sr. Braga estava a referir-se à nova Lei do Alves, em vigor desde 2018.


Como estou farto desses farsantes.



Luís Teves

02/12/2020


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