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  • Opinião com Assinatura

Luís Teves 02/09/2020 - NÃO VAMOS DAR O OURO AOS BANDIDOS



Correndo o risco de me tornar repetitivo decidi, mais uma vez, tecer algumas considerações sobre o I-Voting porque penso que a aprovação desta medida será o fim da relação dos sócios com o clube e do modelo de associativismo que dura há 114 anos. Com a aprovação do I-Voting, o clube deixará de nos pertencer para ficar para sempre nas garras daqueles que julgam que o Sporting é o seu feudo e que mandar no Sporting é o seu direito de nascença.


Pesquisadores de cibersegurança em todo o mundo apontam variadíssimas falhas nos sistemas de votação na internet que ameaçam a integridade dos resultados eleitorais e são inequívocos na sua convicção que a votação pela internet não é confiável derivado ao alto grau de probabilidade de infiltração por hackers nestes sistemas.


Apesar disto os Órgãos Sociais do Sporting decidiram fazer do I-Voting a sua maior prioridade como se no Sporting não houvesse maiores problemas para resolver. Adiaram a Assembleia Geral para discussão e aprovação do orçamento, mas a AG do I-Voting terá de ser forçosamente agendada. Porquê tanta pressa para aprovar e implementar um processo no qual nenhum perito em cibersegurança acredita ou recomenda? Porque tanta insistência em “vender” aos sócios do clube este produto que ninguém no mundo quer comprar? Porquê partir para uma mudança tão radical quando se podia experimentar um sistema de votação presencial nos núcleos? Esta insistência para adoptar um sistema de votação quem nem sequer foi incluído no programa eleitoral deste CD traz água no bico. Não cumprem as promessas que fizeram na campanha eleitoral mas querem concretizar a toda a força algo que não prometeram. Dá que pensar.


O voto online permite aos eleitores votar carregando num botão no seu computador ou com um simples toque de um dedo no ecrã do seu telemóvel. Sem dúvida um método que proporciona comodidade e conveniência, possibilitando ao eleitor exercer o seu direito de voto no conforto da sua sala, no seu carro ou no restaurante. E é exactamente o aspecto da comodidade e da conveniência que os OS do Sporting pretendem vender aos sportinguistas. Mas estarão os sócios do Sporting Clube de Portugal dispostos a trocar a conveniência pela verdade? Estaremos dispostos a substituir um sistema fiável e verificável apenas pela conveniência de votar através do telemóvel? Somos assim tão irreflectidos e ingénuos? Não será importante para nós ter a certeza que o nosso voto conta e que os resultados das votações no Sporting representam a nossa vontade colectiva?


Estes dois anos já nos demonstraram sobejamente a falta de pudor das pessoas que compõem os Órgãos Sociais do clube. Sabemos que o Presidente da Mesa da Assembleia Geral não representa os sócios do Sporting. Em vez de o fazer, defende despudoradamente o Conselho Directivo. Em vez de manter uma postura institucionalmente neutra e equidistante, envolve-se na elaboração deste projecto, defende-o publicamente e adjudica-o a quem bem entende ainda antes de ser discutido e votado pelos sócios.



O que estes pseudo-dirigentes não percebem, ou não querem perceber, é que o propósito de uma eleição ou votação não se limita apenas a selecionar vencedores, ou aprovar propostas. Uma votação ou eleição deve ser transparente e verificável de forma a que os vencidos acreditem nos resultados e fiquem convencidos que foram derrotados. A confiança no processo de votação, e subsequente apuramento de resultados são elementos essenciais num escrutínio. É tão necessário comprovar aos vencidos que não ganharam como apurar quem ganhou. Só assim existe credibilidade. Nada disto tem ocorrido no Sporting nos últimos dois anos. As votações nas AG’s tem sido uma farsa e nada me convence que os resultados não tenham sido adulterados porque não são permitidos observadores nas contagens, e as votações não têm sido certificadas por órgãos independentes. Até já se chegou ao cúmulo de recrutar “voluntários” para proceder às contagens de votos. E vêm agora esta gente pedir aos sportinguistas para lhes confiarem a implementação de um sistema da I-Voting? Seria a mesma coisa do que dar os códigos do sistema de segurança de um banco a uma corja de ladrões.



Os dirigentes do Sporting defendem que a implementação do I-Voting aumentará a participação dos sócios, garantindo maior acessibilidade aos eleitores que não possam ir a Lisboa. Só que escondem o facto que com I-Voting esta maior acessibilidade será igualmente desfrutada pelos espiões, pelos gangsters, pelos mercenários e pelos hackers que gravitam pela internet, dando-lhes oportunidade para violar e desvirtuar o voto secreto, modificar votos, ou mesmo bloquear o acesso a alguns eleitores no dia da votação. Todos nós sabemos que nesta altura os dirigentes do clube já devem ter devidamente identificados quais os sócios que os apoiam e quem são os que lhes fazem oposição. Afinal para que acham que usaram códigos de barras e números de identificação nos boletins de voto nas últimas assembleias gerais? Será tão fácil para eles dificultarem o acesso ao voto a quem já está identificado como opositor. E não tenham dúvidas que o farão!

 

Aprovem o I-voting e esta gente nunca mais sai de lá.



Luís Teves

02/09/2020


 

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