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  • Opinião com Assinatura

Luís Paulo Rodrigues 30/04/2020 - Uma página negra e antidemocrática na história do Sporting


O Sporting Clube de Portugal está profundamente dilacerado e assim irá continuar enquanto não for corrigido o erro histórico que foi a destituição do seu Presidente Bruno de Carvalho e, depois, a sua expulsão de sócio do clube. Um erro histórico porque os sócios, fortemente atingidos por uma construção mediática sem precedentes em Portugal, sentenciaram uma “pena de morte” assente numa ideia macabra que era totalmente falsa, como soubemos agora, pelo desenrolar do julgamento da invasão de Alcochete. A cada dia que passa, o azeite vai subindo à tona, ficando cristalino para todos que, em 2018, houve muitas forças com interesses diversos que se uniram de modo inédito para abaterem um só homem. Porém, essas forças enganaram-se numa coisa: o homem que quase todos atacaram, durante horas, dias, semanas e meses a fio, afinal, não estava só. Parecia que estava só. Parecia que só tinha 30 malucos com ele, mas tinha, afinal, muitos, muitos mais. E continuam com ele. Na verdade, Bruno de Carvalho só estava só para aqueles que contavam as espingardas que passavam nas televisões. Porque só as espingardas que disparavam contra Bruno é que contavam. Só que os ecrãs já deixaram de ser as caixas que mudavam o mundo e passaram a ser caixas de ressonância dos poderes instalados, perdendo audiências de dia para dia. Acontece, aliás, que há mais vida e mais gente para além das televisões, como demonstra o crescimento irreversível do espaço mediático na Internet. Desde aquele fatídico primeiro semestre de 2018, Bruno de Carvalho já passou por tudo. E resistiu. E continua por aí. Até começou a falar numa rádio só de desporto, dando-lhe bons níveis de audiência. A rádio não teve apoios e foi à falência ao fim de poucos meses. Mas Bruno de Carvalho continua aí, de pé, com o seu programa. A sua “Opinião Com Assinatura”. Livre de amarras. Genuína. Agora, no seu próprio site, aqui, tendo a seu lado outras pessoas que, independentemente de erros que cometeu enquanto presidente do Sporting Clube de Portugal, reconhecem, porém, a enorme injustiça de que ele foi alvo por parte da justiça do clube. Sejamos claros, honestos e objetivos: Bruno de Carvalho foi destituído da presidência do Sporting Clube de Portugal e suspenso da sua condição de sócio – tendo, por isso, sido impedido de se recandidatar às eleições que ditaram Frederico Varandas como presidente – por ter sido alvo de um libelo acusatório que o colocava como autor e orquestrador do horrendo ataque à Academia de Alcochete.

O jornalista do “Expresso” Henrique Monteiro, conhecido inimigo de Bruno de Carvalho, como cronista e como manifestante – e que mesmo assim foi escolhido para presidir ao Conselho Fiscal e Disciplinar de transição que preparou uma acusação monstruosa assente na falsidade –, assinou talvez a página mais negra e antidemocrática da história centenária do Sporting Clube de Portugal e da sua justiça interna, não tendo tido pejo de sentenciar a remoção de um presidente do clube com base em acusações e insinuações gravíssimas – ao nível do repertório de escrituras fraudulentas de Tânia Laranjo no “Correio da Manhã” – que a justiça do Estado de direito, quase dois anos depois, acabou por retirar. Ou seja, a justiça do Sporting Clube de Portugal, que deveria ser sempre a primeira a dar sinais de equidade, transparência e isenção, assumiu a narrativa do grupo Cofina para convencer os sócios a afastarem o seu Presidente. Uma marosca que seria inimaginável no FC Porto, no Benfica ou até no Sporting de Braga!... Por muito que meia dúzia de ativistas do ódio a Bruno de Carvalho e os assessores e avençados de Varandas se multipliquem agora nas redes sociais, seja em perfis verdadeiros ou em perfis falsos, procurando afiançar que Alcochete não contou no processo de remoção do ex-Presidente do SCP, a verdade é que a convocatória para a Assembleia Geral de 23 de junho de 2018, com os fundamentos de justa causa para a revogação do mandato do Conselho Diretivo do SCP, demonstra precisamente o contrário. E esse é o momento primeiro e fundamental que gera tudo o que se passou a seguir. Num libelo acusatório de 70 pontos, sem direito ao contraditório, encontramos 20 pontos (entre o 11º e o 31º) que visam Bruno de Carvalho e apontam a sua responsabilidade no ataque a Alcochete. Ora, o ataque a Alcochete foi o evento que despoletou a emoção popular que virou a cabeça dos sócios leoninos, e não outras questões secundárias, como as diferentes interpretações dos estatutos (das quais já ninguém se lembra). O que emocionou verdadeiramente os sportinguistas e grande parte da sociedade portuguesa, inclusive fora do futebol, foi a exploração mediática até à náusea da invasão à Academia de Alcochete – associada às imagens simbólicas da marcha dos estúpidos de cara tapada e da cabeça rachada de Bas Dost, tendo esta sido fotografada, ao que parece, sob as ordens de Frederico Varandas. E como pano de fundo desta construção mediática, a ideia de que havia um monstro a orquestrar tudo. A questão agora é saber como é que esta tremenda injustiça poderá ser resolvida para que o Sporting Clube de Portugal reencontre o seu futuro num clima de pacificação. Dado não existir dúvidas que Bruno de Carvalho foi expulso de sócio tendo sobre si o labéu da autoria moral da invasão a Alcochete, o mínimo que haverá a fazer será promover uma assembleia geral que tenha por finalidade o debate e a votação de uma proposta da sua reintegração como sócio. Não haverá outro caminho, sob pena de o Sporting Clube de Portugal ficar manchado para sempre. O efeito prático da acusação monstruosa que ditou o afastamento de Bruno de Carvalho e a destruição da sua vida é muito apetitoso para os adversários do Sporting, em particular para aqueles que tinham feita ameaças concretas a Alvalade: o Sporting transformou-se num clube que não conta para nada, as discussões são agora entre FC Porto e Benfica, o público desceu drasticamente nas bancadas de Alvalade, as receitas caíram, o merchandising deixou de ser vendido ao ritmo de antes, a equipa de futebol desfez-se, as modalidades deixaram de ganhar como ganhavam, a gestão do clube é ridicularizada, Alvalade transformou-se num cemitério de treinadores, o homem do marketing já se pôs a andar e o dinheiro continua a ser desbaratado, como confirmou a contratação do terceiro treinador mais caro do mundo. E quando não há dinheiro para pagar as dívidas dizemos que não pagamos e o assunto fica resolvido com a bênção de Rogério Alves, o presidente da assembleia geral que não cumpre os estatutos só porque não gosta deles. (A propósito, para quando será convocada a próxima assembleia geral? Será em 2025 ou em 2030?...)

É claro que este regabofe não pode continuar assim durante muito tempo. Mais a mais, a grande promessa de unir o clube, ventilada por Frederico Varandas, tinha, afinal, um guião escondido para dividir ainda mais. O que nos vale é que o Sporting Clube de Portugal é um clube muito grande. De outro modo, com os tratos de polé que tem recebido, já teria acabado há muito.


Luís Paulo Rodrigues

30/04/2020



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