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Luís Paulo Rodrigues 14/05/2020 - NÃO ao voto eletrónico! SIM ao voto nos Núcleos!

Com o Sporting Clube de Portugal numa encruzilhada de problemas e a perder a alegria e o entusiasmo de sócios e adeptos a cada dia que passa, a direção de Frederico Varandas introduziu a questão do voto eletrónico (“e-voting”, em inglês) como uma mudança estrutural necessária para que todos os associados possam participar nas decisões do clube, em especial aqueles que vivem longe de Lisboa.

Felizmente, há outras vias mais sedutoras para galvanizar os sportinguistas e fazê-los afluir a Alvalade, como já demonstrou Bruno de Carvalho nos cinco anos da sua presidência: contratou bons jogadores e bons treinadores, a competitividade da equipa de futebol aumentou, a qualidade do futebol melhorou, os sócios e adeptos olhavam para a frente e sabiam qual era o rumo e o Estádio José Alvalade estava quase sempre cheio, com uma assistência média na ordem das 40 mil pessoas. A questão da participação dos sócios nas eleições faz parte do programa “Unir o Sporting” (um slogan que não passou de um slogan…), mas não com a clareza que agora a questão é colocada. Na verdade, Frederico Varandas, de acordo com o seu programa eleitoral, prometeu “promover a criação dos mecanismos estatutários e operacionais que permitam aos sócios do Sporting Clube de Portugal espalhados por todo o país o exercício dos seus direitos de voto também nos Núcleos, criando-se, no curto prazo, as condições para esta medida em três Núcleos, a título experimental: um Núcleo no Norte, um Núcleo no Centro e um Núcleo no Sul”. O argumento da “maior participação dos sócios” nas eleições, incentivando a participação daqueles que vivem longe de Lisboa, é falacioso, porque os os sportinguistas já podem participar nos atos eleitorais do Sporting Clube de Portugal através do voto por correspondência. CINCO RAZÕES CONTRA O VOTO ELETRÓNICO Em minha opinião, a introdução do voto eletrónico não faz qualquer sentido, por várias razões, entre as quais destaco as seguintes: 1) O voto, seja para o Governo de um país ou para a Direção de um clube desportivo, deve ser presencial: quando se vota pela Internet não temos a certeza de quem está a votar. 2) O voto eletrónico não é totalmente seguro, uma vez que um sistema desse tipo, dependendo da tecnologia, pode ser viciado por eventual intervenção humana suscetível de alterar a escolha dos eleitores. Ora, para ser bem-sucedido e para que os resultados não ofereçam dúvidas, o voto eletrónico tem de ser um sistema totalmente confiável. É preciso que seja possível auditar o sistema e que possamos ter a certeza de tudo o que se passou dentro máquina, mas sem que seja posto em causa o segredo do voto. E isso levanta dúvidas e complicações. 3) O sistema do voto eletrónico já foi testado em Portugal em eleições para as autarquias, para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República, respetivamente em 1997, 2001, 2004 e 2005. Passados 15 anos sobre a última experiência, os portugueses ainda continuam a escolher os seus políticos através do voto em papel. 4) Não existe nenhum estudo que comprove que a introdução do voto eletrónico faria aumentar a participação dos sportinguistas nas assembleias gerais eleitorais. 5) A participação dos sportinguistas na vida do clube é uma falsa questão. Se há em Portugal um clube em que os sócios participam ativamente nas suas decisões esse clube é o Sporting Clube de Portugal, como demonstram presenças de milhares de pessoas nas últimas assembleias gerais realizadas, eleitorais ou não eleitorais. E só não participam mais porque o presidente da AG, Rogério Alves, não convoca mais reuniões… Isto não significa que o Sporting Clube de Portugal não deva melhorar o seu sistema eleitoral. Pelo contrário. Pode melhorar e deve melhorar. De que forma? O caminho que me parece mais consistente, que já estava a ser traçado antes de 2018, será alargar o voto presencial em urna aos núcleos leoninos espalhados pelo país, de forma gradual, até ser possível que cada sócio do Sporting Clube de Portugal que resida fora do município de Lisboa possa exercer o seu direito de voto no seu núcleo, num processo eleitoral transparente, confiável e seguro, com cadernos eleitorais atualizados com antecedência, com delegados de todas as listas presentes no ato eleitoral, escrutinando todo o processo e participando na contagem dos votos, exatamente como acontece nas eleições para o governo ou para as autarquias locais.

CINCO RAZÕES PARA O VOTO EM URNA O voto presencial em urna descentralizado nos núcleos leoninos do território nacional teria vantagens para o SCP, das quais destaco as seguintes: 1) Reafirmaria a força e a implantação nacional do Sporting Clube de Portugal. 2) Reafirmaria o sentido de responsabilidade e a capacidade de organização dos sportinguistas espalhados pelo país e mobilizaria toda a família leonina. 3) Cada ato eleitoral seria uma oportunidade de afirmação nacional da marca Sporting Clube de Portugal, potenciando a captação de novos associados. 4) Cada ato eleitoral evidenciaria a importância dos núcleos como frentes de proximidade do SCP em todo o território nacional. Cada sócio, de Bragança a Faro e de Castelo Branco à Madeira e aos Açores sentiria a importância do seu voto na vida do SCP. 5) O voto presencial descentralizado, com o escrutínio dos representantes de cada candidatura, seria um processo transparente, confiável e seguro, que reforçaria a democracia no Sporting Clube de Portugal. Em conclusão, os sportinguistas devem dizer NÃO ao projeto de criação de um sistema de voto eletrónico para as eleições do clube. E devem dizer SIM ao voto presencial em urna em cada Núcleo do SCP!...



Luís Paulo Rodrigues

14/05/2020


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