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João Trindade 25/04/2020 - A propósito do 25 de Abril

Nasci em 1941, em plena 2ª Grande Guerra Mundial, 1939/45. Cresci sem perceber o que estava a acontecer no mundo. E ainda bem. Isto significa que os meus Pais souberam e puderam minorar as carências e as aflições preservando assim a integridade e a saúde física e mental da família.

Quatro anos depois do armistício o meu progenitor deu-me a prenda de me fazer sócio do Sporting Clube de Portugal. E já lá vão mais de sete décadas. Depois de acabar o liceu em Lisboa, no Passos Manuel, entrei na Faculdade de Medicina em 1962. Vivi por dentro, logo nesse ano, a Crise Académica e, como já era dirigente, quer na Associação dos Estudantes quer no Orfeão Universitário, passei um mau bocado. Essa história ficará para um outro dia. Vivi, portanto, cerca de 20 anos em ditadura já com uma clara consciência cívica e política. E percebi (e sofri) o que isso significava.


Vem isto a propósito do 25 de abril de 1974. Passei esse dia no hospital com um entusiasmo transbordante, todos atónitos e incrédulos com tudo o que víamos e ouvíamos quer nas televisões quer na rádio. A partir dessa data, que hoje se comemora (e ainda bem, na minha opinião), a vida mudou, nada ficou como dantes.

Hoje, em plena democracia, podemos e sabemos analisar criticamente os erros, os excessos, os defeitos, mas também os acertos, as conquistas e as qualidades deste percurso que fizemos durante estes 46 anos.

No nosso clube também vivi um “25 de abril”. Em 26 de março de 2013 com a eleição de Bruno de Carvalho para a presidência do Sporting Clube de Portugal. Mudou tudo. Nada ficou como dantes. Todos sabemos a revolução que aconteceu no nosso clube e a onda de progresso, de prestígio, de afirmação, de competência, de abertura, de união, de paz, de transparência, de personalidade, de conquistas, até. Houve erros, excessos, defeitos? Com certeza; e, se calhar, ainda bem.

Aprende-se muito quando se erra e se tem a inteligência e a humildade de querer emendar. Estava-se, em 2018, nessa fase de estabilidade e de consolidação do projeto. Um projeto com um futuro brilhante. Mas o país do “futebol sombrio” que usa máscaras de cores disfarçadas não dorme, nunca dorme. E construiu o seu caminho, montou a sua armadilha, preparou o ataque, aliciou traidores, reuniu cúmplices e conseguiu o que queria. Voltar aos tempos antigos, aos tempos em que podia reinar e corromper impunemente e sem obstáculos. Basta-nos olhar hoje em redor para percebermos tudo o que aconteceu. Sofremos a perda, sofremos o revés, sofremos o desgosto; mas não fugimos, não nos escondemos nem desistimos.


Estamos cá para voltarmos à luta, com esforço, dedicação e devoção. Vamos-nos preparar uma vez mais para que no Sporting Clube de Portugal possa vir a acontecer um novo e reforçado “25 de abril”. Eu espero, eu acredito. Porque a nossa alma é grande e verde e de verde se veste a esperança.

Dedico a todos vós, sportinguistas que nos acompanham e principalmente ao nosso Bruno de Carvalho, um poema que escrevi em abril de 1975, e que, por me parecer ainda actual, vem mesmo a propósito.

Hoje e Sempre Sporting!



Viva o 25 de Abril De repente o sol De repente abril De repente a flor. Um cravo, e outro, outro ainda, mil cravos vermelhos de cor. De repente gente. Gente, muita gente, com espanto, com esperança, com voz. De repente nós. Fizemos canções, pintámos murais, dissemos poemas que sabíamos de cor. Fizemos Pessoas Fizemos Camões. De repente uma flor De repente um povo. Foi Abril e Primavera de novo! João Trindade Abril, 1975



João Trindade

25/04/2020


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