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João Francisco Fonseca 20/04/2020 - A Rádio conta, a Televisão mostra, o Jornal explica


Em tempos limite, de medo e incerteza, sentimos ainda mais a importância de um jornalismo livre, de investigação e aprofundamento e sobretudo, o de uma Comunicação Social como meio entre o que acontece e o leitor, o espectador ou o ouvinte.

As decisões que tomamos, o sentido que damos a um voto ou posição que defendemos, num inócuo debate entre amigos, parte da informação, mais ou menos, correcta que nos foi apresentada num jornal, numa estação de rádio ou num canal de televisão. Com tanto ruído, com tanta desinformação mascarada de verdade, nas redes sociais, o jornalista surge, ou deveria surgir sempre, mas sempre, como filtro ou indicador do que é ou não é um facto. A questão é que não estão reunidas as condições para o jornalismo se fazer sempre como tem e deveria ser feito.

A pressão do online faz com que redacções, cada vez mais reduzidas, tenham que a um elevado ritmo noticiar ou, simplesmente, replicar o que acontece, baixando por vezes a guarda na sua própria validação. A situação de precariedade que a classe vive, generalizadamente, é uma dura realidade, com uma parte significativa dos jornalistas a não ter sequer um vínculo laboral e/ou a estarem, por isso, sujeitos a uma tremenda instabilidade o que gera um clima de insegurança. O medo de perder o emprego é constante, a oferta é avassaladoramente superior à procura. Mais de metade dos jornalistas, em Portugal, têm um vencimento entre os quinhentos e os mil euros. Sendo que um quarto dos jornalistas levam menos de oitocentos euros para casa ao final do mês.


Por outro lado, assistimos um fenómeno cada vez menos raro que é o jornalista que confunde a sua posição de meio para contar, explicar, mostrar e passa a fazê-lo de forma altamente enviesada, com a sua opinião pessoal muito vincada, muito próxima de um artigo de opinião ou de uma crónica, sem a imparcialidade suposta. Ou então, ainda mais grave, a compactuar, ou o ser pressionado para compactuar, com o que acaba por ser um julgamento, antes do próprio julgamento. Neste caso, o suspeito ou o arguido é tratado como culpado, como criminoso. Parte das vezes, com o passar do tempo, verificamos que são suspeitas tão infundadas ou tão frágeis que não dão em nada. Contudo, o tal “julgamento” para a opinião pública já foi feito, apesar do julgamento, de facto, não existir. Mas o inocente, entretanto, já foi crucificado.

A juntar a tudo isto com a fragilidade financeira da maioria dos Orgãos de Comunicação Social as redações têm cada vez menos condições de fazerem investigações de fundo e grandes reportagens, também elas um vital aliado da justiça versus injustiça, da informação versus desinformação e do conhecimento versus desconhecimento.


Os sportinguistas não escapam a este fenómeno e tomaram decisões não tendo acesso à realidade, elegendo sem saberem quem estavam realmente a eleger. Não têm, hoje, a real noção do que se passa no clube, pois a transparência baixou neste mandato e os jornalistas nem sempre conseguem investigar como era tão importante fazerem. Por último, alguns sportinguistas até maltrataram e desprezaram quem tanto fez, de facto, pela Instituição. Acredito que com plena informação a história recente do Sporting teria sido outra. Esperemos ainda ir a tempo de corrigi-la.



João Francisco Fonseca

20/04/2020


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