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Inês Simões 12/05/2020 - Desigualdade entre Futebol Masculino e Feminino

Mulheres e homens entram em campo, as regras são as mesmas, o objetivo do jogo é o mesmo (marcar golos e boas exibições), as dimensões do campo também, o número de jogadores também e por aí adiante.

No entanto existe uma gigantesca desigualdade salarial! 

Ora vejamos, segundo a revista France Football, Messi (jogador do Barcelona) é o futebolista mais bem pago do mundo com 130 milhões de euros anuais apenas em salários, sem contar com os contratos milionários em publicidade e sponcers. 


Ada Hegerberg (Jogadora do Lyon) é a futebolista mais bem paga do mundo com 400 mil euros anuais. Messi ganha 325 vezes mais do que Ada Hegerberg. 

Obviamente que não se pode equiparar a intensidade de jogo entre o masculino e o feminino devido às diferenças fisiológicas que constituem o homem e a mulher. Ainda assim, a técnica, táctica, inteligência, competitividade e profissionalismo são competências inerentes a ambos. 


O reconhecimento do futebol feminino vai crescendo é um facto… mas ainda falta muito, principalmente em Portugal.

Se compararmos com o país vizinho Espanha, o futebol feminino já consegue encher um estádio com 60 mil adeptos e inclusive, ser capa de jornais desportivos. 

Por cá, fala-se de um tecto salarial sugerido pelos três grandes juntamente com a Federação Portuguesa de Futebol , quando parafraseando uma amiga e bem “não devemos falar em tecto quando às vezes nem chão há”. 


Temos visto alguns jogadores de equipas masculinas pedirem apoios porque não tinham sequer dinheiro para alimentação. E as jogadoras? Não se ouviu falar porquê? Porque são mulheres? 


Como brand manager, acredito e sei o potencial que as atletas podem trazer às marcas que nelas investem, mas para isso é preciso a modalidade ter visibilidade. Sem uma coisa a outra não anda. 

Os patrocínios no futebol feminino ainda são reduzidos com o argumento de que “não vendem tanto como os homens”. 


Ora bem vamos então ao cerne da questão. E não vendem porquê? Porque os próprios clubes não incentivam a que isso aconteça, logo a comunicação social também dá uma visibilidade limitada. 

As jogadoras de futebol não merecem menos que os jogadores até porque em campo as regras de jogo são as mesmas. Não há regras especiais ou limites por serem mulheres ou homens. 


É triste este processo de evolução ser tão lento e ainda existirem algumas grandes figuras do futebol a quererem dar 2 passos atrás com certas medidas prejudicando o rumo natural do feminino em Portugal. 

Mais triste ainda é quem deveria proteger e lutar pelos direitos das jogadoras não o fazer. 

Ás vezes é preciso abanar as mentalidades com atitudes mais intensas, pois as situações extremas exigem medidas extremas. 



Inês Simões

12/05/2020


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