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Gonçalo Santos 03/09/2020 - Devolvam-me a esperança!



Sou do Sporting desde que me lembro e, desde que me lembro, o meu clube tem dificuldades para atingir o patamar mais alto, aquele onde só um chega. Por culpa própria ou por culpas alheias, o Sporting tem sido, muitas vezes, um projecto adiado.

Curiosamente, mesmo passando por muitas derrotas e por algumas vitórias; mesmo sabendo que o nosso caminho é difícil - mais difícil do que o caminho dos outros - nunca deixei de acreditar. Creiam-me, a expressão “pro ano é que é” materializa um elogio.

Porque traduz crença, fidelidade, respeito pelo nosso emblema, vontade de continuar a estar presente, a apoiar, a sentir, a viver o Sporting. Vontade de construir, com as nossas equipas, uma rota e uma plataforma comuns.

Com derrotas e com algumas vitórias, a minha crença num futuro radioso era um facto sempre presente. Indiscutível. Por ser imensamente partilhado, era também um elemento agregador da nossa família.

Derrotas e vitórias não me faziam reclamar ou lamentar, muito menos abalavam a convicção firme de que estava do lado certo da história. Estava do lado da justiça, da honestidade, do esforço, da dedicação. Nunca me arrependi do tempo consumido, ou de ter fé até ao apito final.

Sabem que mais? Nunca me arrependi porque via (ou conseguia imaginar), em todos os momentos, uma luz de esperança ao fundo de qualquer túnel onde estivéssemos enfiados.

Essa luz poderia assumir a forma de um golo mágico. Ou de uma jogada estupenda. Ou de uma vitória fora de horas e inesperada. Ou de um discurso aguerrido, que colocasse todos os pontos sobre todos os i.

Não se concretizando, a esperança não se desvanecia, transitando imediatamente para o remate seguinte, para o jogo seguinte, para a época que viria. Por tudo isto, aquilo que não perdoo a esta direcção foi ter-me roubado a fé.



Quando somos humilhados pelo Braga, um clube menor, e a direcção não nos sabe defender; quando vemos a distância para os nossos rivais aumentar todos os dias, porque a política desportiva é errática (e errada); quando não vemos capacidade mínima para inverter a situação financeira difícil; quando já não vemos vontade de agregar os sócios e simpatizantes; quando o discurso é tão frágil quanto quem o profere; quando interesses privados e do clube se confundem; quando a contratação de jogadores menores parece obrigar a estratégias de aproximação a rivais; quando tudo isto existe (e é triste mas não deveria ser fado), é muito mais difícil acreditar no que quer que seja.

Merda, eu quero que o Sporting ganhe os jogos todos. Por 5-0 (e 10-0 se for contra o Benfica). Quero ser campeão de Portugal, da Europa, do mundo. Quero ter um estádio cheio como o do Boca Juniors. Quero que nos respeitem. Quero que nos temam (no bom sentido). Quero que nos admirem (em todos os sentidos).



Mas esta direcção, pela sua incapacidade, roubou-me a crença de que isso aconteça. (Para resumir, a minha fé esbate-se quando vejo que um grupo age como se fosse dono de uma instituição que é tanto dele como minha. Que é tanto dele como nossa). Porra, quero voltar a acreditar!

Nem preciso que me dêem golos, defesas fantásticas, jogos irrepreensíveis.

Só quero sentir o nervoso miudinho que sentia antes do jogo começar. Só quero sentir fé durante 90 minutos, aconteça o que acontecer.

Só me apetece voltar a abraçar o gajo do lado sempre que marcarmos. Só me apetece olhar para quem nos representa e acreditar que, de facto, nos representa. Só me apetece comportar-me como um puto de cinco anos sempre que entramos em campo (e ver as lágrimas chegarem aos olhos quando acaba e o nosso esforço saiu vencedor). É só isso que quero. É só isso que não perdoo que esta direcção me tenha roubado.



Viva o Sporting, o Verdadeiro Sporting!! 


Gonçalo Santos

03/09/2020


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