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Alexandre Guerreiro 16/05/2020 - Não te deixarei morrer, Tânia Laranjo

Atualizado: 20 de mai. de 2020

Não se julgue que conheço pessoalmente a jornalista Tânia Laranjo ou que me foi dada confiança para me dirigir à própria na segunda pessoa do singular. Tomei a liberdade de me inspirar no título dado por Miguel Sousa Tavares a uma compilação de textos seus. Também não se pense que pretendo prestar qualquer tipo de homenagem a Miguel Sousa Tavares, até porque, infelizmente, tenho-o actualmente como referência do que chamo de “preguiça jornalística”: a falta de motivação para, por vezes, procurar ou confirmar informação básica antes de a usar em público. Aconteceu assim, por exemplo, no curto debate com André Ventura. Correu-lhe mal, claro.

A preguiça é um dos pecados do jornalismo actual. Mas não só. O desperdício de talento é, a meu ver, o maior deles. Isto a propósito de Tânia Laranjo. Leio frequentemente as peças que assina no Correio da Manhã e acompanho parte das suas presenças na CMTV. Qualquer pessoa que analise com desprendimento o trabalho de Tânia Laranjo chega a uma conclusão fácil: produz por dez. É um animal do trabalho. Dedica-se totalmente à casa e cobre tudo o que for acontecimento. Está em todo o lado – quando não é fisicamente, é pelo telefone, mas está. Mobiliza os meios necessários e acciona as fontes que tem em tempo recorde. As peças, a descrição dos factos e a análise surgem em catadupa. Se não escreve, assina a peça, o que significa que, no mínimo, leu e subscreve o que fez o colega.

Tânia Laranjo é, reconheço com total honestidade, uma autêntica unidade de produção de conteúdos – vários são certeiros, admita-se. É o tipo de trabalhadora que qualquer grande indústria quer ter nos quadros. Mas seria importante que Tânia Laranjo percebesse que a aposta em quantidade não tem de significar a diminuição da qualidade do que se produz. Afinal, o magnífico manancial de fontes que tem facilitam-lhe em muito a vida. Em muitos casos, basta gerir. Mas custa acreditar que alguém que tem tanto mérito no recrutamento das fontes mais certeiras, não raras vezes, aproveite a substância recebida para desperdiçar a matéria-prima e desviar o foco da actividade.

Se alguém me justificar o embelezamento de factos para criar histórias inexistentes com o objectivo de aumentar as visualizações, então não falamos de jornalistas, mas de angariadores de clientela. Desperdício de talento e de matéria-prima puros. Já se alguém me justificar a deturpação ou adulteração da interpretação factos com a falta de conhecimento ou com a incapacidade para dar uso ao que se tem em mãos, então é só desperdício de matéria-prima. E quem o faz não pode ser jornalista.

Tânia Laranjo intriga-me quanto a estes aspectos. Com tantas fontes e tão boas que tem, faz-me confusão quando se desvia do caminho certo e identifica alvos que não larga enquanto não derem todo o sumo que quer. Quando não há sumo, tenta-se que dê leite. Se não der leite, dá sangue.


Não quero com isto parecer que não aprecio o trabalho de Tânia Laranjo. Tem mérito em muito do que constrói. Mas também vejo muitas vezes nela um total desperdício de meios, o início de guerras e o envolvimento em ataques gratuitos e absolutamente desgastantes e destrutivos para os visados que me fazem acreditar que desperdiça talento: Tânia Laranjo tem os meios, sabe o caminho e a forma que deve seguir, mas, em variadas situações, decide intencionalmente trilhar um percurso distinto.

Não sei se algum dia terá capacidade para inverter esta tendência. Sei que afecta a qualidade do seu trabalho e compromete a classe. Afinal, assim como Miguel Sousa Tavares percebeu, mais tarde, que o David Crockett que o contagiou quando era criança representava a sua infância, a sua pureza inicial e a ingenuidade, também Tânia Laranjo emerge paulatinamente como o protótipo de jornalista com que se identificam as massas que aumentam diariamente os números do Correio da Manhã e da CMTV. E a tentação pode passar por “não deixar morrer” a face menos boa de Tânia Laranjo.

Alexandre Guerreiro

16/05/2020

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22 comentários


Pafan
17 de mai. de 2020

Façamos um acto caridoso e cada um contribui com o que pode para comprar uma barra de sabão azul e branco (sabão macaco, na gíria), porque aquilo não vai lá de outra maneira. E se sobrar €, comprar uma embalagem de quitoso

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Pafan
17 de mai. de 2020

Dr. Alexandre Guerreiro, obrigado por ter participado no programa "opinião com assinatura", com Bruno de Carvalho e Alexandre Godinho.

Em relação ao artigo de hoje, quero só dizer umas coisas.

No dia 28/01/2020 a dita foi "apanhada"a conduzir com 1,57 g/l de álcool no sangue.

O que aconteceria, se, num acidente matasse pessoa/pessoas nesse estado de embriaguez (lembrar que 0,50 g/l já é excesso de álcool na condução), pois tinha mais de 3 vezes que o permitido por lei.

Se a mesma gostava, que, uma pseudo "jornalista" (pois não cumpre o código deontológico dos jornalistas, não é jornalista), Cátia Tangerina explorasse esse caso até a referida fosse presa numa latrina de 2m quadrados durante quatro dias. E não era preciso…


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Adriano Silva
Adriano Silva
17 de mai. de 2020

Quem com ferros mata...com ferros morre! É uma questão de tempo. É um escroto de gente. Se fosse sujeita a teste alcoolémia antes de entrar ao serviço, muito provavelmente estaria de ausência prolongada. Ao BC só desejo que regresse ao SCP, sem demoras. Quanto às suas características pessoais, não aceito quaisquer mudanças... tal e qual como em 2013 a quando candidato me cativou. Um grande bem haja para Alexandre Guerreiro

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Teresa Amaro
Teresa Amaro
17 de mai. de 2020

Um profissional sério e isento não se deixa corromper e esta jornalista é mentirosa e caluniosa mas atenção, ela até pode fazê-lo por dinheiro e isto ainda é mais grave

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Paulo Maia
Paulo Maia
17 de mai. de 2020

Uma grande verdade.PREGUIÇA/ INTERESSES

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