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Afonso Pinto Coelho - Fórmula Dr.Varandas 2019/2020



Futebol “tá fácil” + 4 treinadores = 4º Lugar”.


Terminou no passado domingo a época desportiva da equipa sénior de futebol masculina do Sporting Clube de Portugal. Uma época de má memória para todos os sportinguistas, marcada por 3 mudanças de treinador e que culminou com um horrivel quarto lugar na tabela final da classificação, naquela que é verdadeiramente a primeira época desportiva da exclusiva responsabilidade de Frederico Varandas como presidente do clube e da respectiva SAD, na medida em que assumiu funções como presidente (Clube/SAD) a partir de 8 de Setembro de 2018, ou seja, já com a época desportiva 2018/2019 em curso.


A época 2019/2020 que a actual Administração da Sporting, SAD assumiu como o “Ano 1” do seu projecto desportivo foi um rotundo fracasso e nada condigno com as aspirações e a dimensão de um clube da grandeza do Sporting Clube de Portugal.

No dia 1 de Fevereiro de 2019 numa entrevista à RTP, Frederico Varandas afirmou: “Sempre disse que 80% do sucesso desportivo é delineado entre o mês de junho e 31 de Agosto. É aí que se constrói o plantel, onde se impõem rotinas, principios de jogo.”, ou seja, nessa entrevista acabou por assumir que 80% do sucesso da época desportiva da época 2018/2019 se deveria às duas anteriores Administrações da Sporting SAD (Bruno de Carvalho até 23/6/2018 e Sousa Cintra entre 24/6/2018 e 31/8/2018) e ao mesmo tempo deixou claro que 80% do sucesso desportivo da época 2019/2020 seria delineado na presidência dele próprio entre Junho e Agosto de 2019.


Nessa mesma entrevista, fez ainda outra afirmação extremamente interessante: “Se calhar temos um plantel de qualidade reduzida.” Curiosamente, na época desportiva 2018/2019, o Sporting conquistou a Taça da Liga, Taça de Portugal e ficou na 3ª posição na Liga, naquela que foi apelidada por Frederico Varandas em 27 de Maio de 2019 como a “melhor época desportiva dos últimos 17 anos.” No entanto, em Novembro de 2019, Frederico Varandas não hesitou em fazer a seguinte afirmação: “Esta estrutura fez com que o Sporting tivesse a melhor época em 17 anos.”, como se 20% fossem superiores a 80%.


No dia 4 de Setembro de 2019, Frederico Varandas deu uma entrevista à Sporting TV já depois do fecho de mercado de Verão e um mês depois da humilhante derrota da Supertaça em Agosto de 2019, em que disse: “Conseguimos manter o maior valor desportivo do Sporting CP, o Bruno Fernandes, e conseguimos corrigir e dar maior equilibrio e soluções. Por isso, achamos que este grupo é mais competitivo, tem mais soluções e tem mais qualidade que o da época anterior.”


Se analisarmos todas estas afirmações feitas por Frederico Varandas em entrevistas ao longo do periodo de quase 2 anos do seu mandato, concluimos que o seu discurso é errático, cheio de contradições, equivocos e incoerências sem qualquer adequação à realidade conforme se pode comprovar, procurando sempre aligerar as suas responsabilidades e tentando sempre capitalizar sucessos que em grande parte não são seus.

No entanto, e se analisarmos as afirmações que aqui transcrevi, Frederico Varandas não pode mais fugir às suas responsabilidades relativamente à época 2019/2020, na medida em que as 3(!) mudanças de treinador e a construção do plantel 2019/2020 são da sua responsabilidade, incluindo as contratações, vendas e os desastrosos empréstimos de Fernando, Jesé e Bolasie que (quase) nada acresentaram ao plantel.



Destaco a saída de Bas Dost pelo diminuto valor de venda bruto de 7 Milhões de Euros e ainda com uma comissão associada à operação de 0,7 Milhões de Euros, na medida em que deixou o plantel quase meia temporada reduzido a apenas uma opção em termos de ponta-de-lança (Luiz Phellype), com todos os riscos (lesões e castigos) associados a essa decisão, pois Jesé não é avançado-centro, ao contrário do que Frederico Varandas referiu no dia 4 de Setembro de 2019 em entrevista à Sporting TV. Apesar da venda de Bas Dost por uma verba muito abaixo do valor de mercado do referido jogador, com a argumentação que seria incomportável para o Sporting continuar a pagar o seu salário, argumento esse que tambem serviu para dispensa de muitos outros jogadores, entre os quais um dos grandes simbolos da formação do clube (Nani) a custo zero, Frederico Varandas não hesitou em contratar Ruben Amorim ao Sporting Clube de Braga como 4º(!) treinador da época incialmente por 12,3 Milhões de Euros (10 Milhões de Euros + IVA), mas que se estima que possa ascender a mais de 14 Milhões de Euros, em face de alegados juros de mora e incumprimentos das prestações inicialmente acordadas, pelo que tem sido referido pelo próprio presidente do Sporting Clube de Braga.


Mesmo com esta “alteração de paradigma” ou “mudança de rumo” como o próprio Frederico Varandas referiu na Conferência de Imprensa de apresentação de Ruben Amorim, o Sporting não conseguiu garantir o 3ºlugar com um orçamento de 70 Milhões de Euros, ficando atrás de um clube com um orçamento de quase três vezes menos (25 Milhões de Euros). Mais, com a contratação de Ruben Amorim ao Sporting Clube de Braga pelo valor conhecido, Frederico Varandas criou as condições que para que este clube se possa aproximar ao Sporting em termos de orçamento para a próxima época desportiva, pois será menos essa verba que o Sporting terá disponivel para investir e consequentemente mais essa verba que o referido clube terá disponivel para investir para a próxima temporada.


Ontem e após o final da época desportiva 2019/2020, Frederico Varandas dá uma nova entrevista ao Jornal Record em que disse: “Foi uma má época, com responsabilidade nossa, mas nunca se pode esquecer do que está para trás.”


Quando faz tal afirmação “mas nunca se pode esquecer do que está para trás”, emerge a dúvida se se está a referir à “herança pesada” do contrato da NOS que lhe permitiu fazer uma operação de titularização de crédito de 65 Milhões de euros, e mesmo assim em condições altamente desfavoráveis para a Sporting SAD, sendo que a taxa de juro média desta operação financeira continua sem ser revelada, ou se se está referir aos jogadores da formação que não estavam aptos a integrar a equipa principal, mas que graças à substituição dos colchões da academia patrocinada por Frederico Varandas, passaram a estar aptos, embora grande parte desses jogadores tivessem ingressado no Sporting antes da eleição de Frederico Varandas como presidente.




Em conclusão, penso que seria tempo de Frederico Varandas reflectir rapidamente se tem de facto condições para continuar a ser presidente do clube depois desta época desastrosa, que é inteiramente da sua responsabilidade, até porque já o deveria ter feito essa reflexão devido a outras temáticas que extravassam em muito o desempenho desportivo da equipa de futebol sénior masculina. Mais, se Frederico Varandas entende que tem condições para continuar como presidente do clube, deveria solicitar urgentemente ao Presidente da Mesa da Assembleia-Geral a marcação de uma Assembleia Geral Extraordinária para ouvir os sócios e colocar à consideração dos mesmos se entendem que Frederico Varandas tem condições para cumprir a segunda parte do mandato para o qual for eleito, face à enorme e crescente contestação ao seu desempenho como presidente, que existe no seio da massa associativa. Se Frederico Varandas não tiver a suficiente inteligência emocional para o fazer rapidamente, terão de ser os sócios a fazê-lo, custe o que custar, e em condições politicas muito mais adversas para Frederico Varandas, pois são os sócios os donos do clube.

Saudações leoninas!


Afonso Pinto Coelho

29/07/2020

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