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Afonso Pinto Coelho 29/04/2020 - O factor CR7 nas contas


fonte CM


Depois de semana passada ter falado de Contas Consolidadas, hoje vou falar sobre um assunto que passou relativamente despercebido, ou seja, a forma como o mecanismo de solidariedade decorrente da transferência de Cristiano Ronaldo do Real Madrid para a Juventus, em Julho de 2018, permitiu ao actual Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal evitar uma eventual perda de mandato, de acordo com o nº7 do Art.31 dos Estatutos do Clube.


Recordo que todo o processo em questão começa com a aprovação do Orçamento para o exercício económico 2018/2019 na Assembleia-Geral de 30 de Novembro de 2018. Como se pode verificar, existe um facto que chama a atenção: Sendo que a transferência de Cristiano Ronaldo ocorreu em Julho de 2018, conforme refere o próprio Relatório & Contas 2018/2019, porque não foi orçamentado o valor em questão no Orçamento de Exploração 2018/2019, apresentado para aprovação dos sócios na Assembleia-Geral de 30 de Novembro de 2018?


Esta pergunta continua sem qualquer resposta por parte dos actuais Orgãos Sociais do clube, bem como o motivo pelo qual foi ocultada o resultado oficial da votação (em termos do número de sócios que votaram a favor e contra) dos pontos relativos à ordem de trabalhos da referida Assembleia-Geral, entre os quais a aprovação do Orçamento de Exploração 2018/2019. Após a última Assembleia-Geral de 10 de Outubro de 2019, veio a público no Jornal Record que apenas 234 sócios votaram a favor e que 254 sócios votaram contra o Orçamento em questão na Assembleia-Geral de 30 de Novembro de 2018, o qual foi aprovado por maioria pouca significativa de votos. Esta informação relativa à votação em termos de número de sócios (a favor e contra) não foi divulgada na própria Assembleia-Geral, nem publicada na edição seguinte do Jornal do Clube, como costuma ser habitual.



































fonte Record

Apenas na Assembleia-Geral de 29 de Junho de 2019 para aprovação do Orçamento de Exploração 2019/2020, os sócios foram confrontados com uma Projecção de Rendimento Extra de Direitos Desportivos Não Orçamentados relativamente ao exercício 2018/2019 no valor de 1.695.554 euros, sem que tenha havido uma explicação formal de qual o critério de repartição deste Rendimento entre clube e SAD. Face à proximidade do final do exercício económico 2018/2019, facilmente se entendeu que este Rendimento Extra não orçamentado iria permitir atingir o Resultado Líquido orçamentado para 2018/2019 por curta margem.

No dia 10 de Outubro de 2019, o Relatório & Contas 2018/2019 (exercício económico do período compreendido entre 1 de Julho de 2018 a 30 de Junho de 2019) foi aprovado novamente em sede de Assembleia-Geral por uma maioria muito pouco significativa de votos, com 596 sócios a votarem a favor e 756 sócios a votarem contra. O referido Rendimento Extra não orçamentado permitiu evitar um Resultado Líquido Negativo, e consequentemente evitar uma eventual perda de mandato do Conselho Directivo, por incumprimento do Orçamento de Exploração.

Por outro lado, o Relatório & Contas 2018/2019 refere “Durante o corrente exercício, o SCP apresentou mais uma vez as suas contas consolidadas, dando continuidade ao programa de transparência com vista a informar os seus sócios e adeptos da realidade do Clube, com o objectivo de os chamar a cada vez mais apoiarem o aumento de receitas.”

Conforme é publico e notório, o Sporting não apresentou ainda as Contas Consolidadas relativamente ao exercício económico 2018/2019, ao contrário dos outros dois grandes do Desporto Português, sendo que desde que ambos o fizeram (Outubro/2019 e Novembro/2019), já passaram mais de cinco meses.

Mais, o Art.32 nº2 dos Estatutos refere que a “A gestão orçamental deve ser conduzida de forma rigorosa e transparente…”.


Ao analisar toda esta sucessão de factos, penso que se consegue entender porque é que comparativamente (Época 2018/2019 vs Época 2017/2018), a rubrica “quotizações e outra contribuições” registou uma quebra de 265 mil euros e a rubrica “patrocínios e publicidade” registou uma quebra de 127 mil euros, mesmo que as receitas de bilheteira (das modalidades) tenham crescido 99 mil euros depois das equipas seniores masculinas de futsal, andebol, hóquei em patins e voleibol terem sido campeões nacionais na época 2017/2018.

Nota: Relativamente ao artigo que escrevi na semana passada, e como fui abordado relativamente ao mesmo, gostaria de esclarecer e clarificar que a aprovação de Contas Consolidadas em sede de Assembleia-Geral do Clube não é legalmente obrigatória, apesar de a sua apresentação pública o ser.

Muita saúde para todos! Saudações leoninas!



Afonso Pinto Coelho

29/04/2020




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