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  • Opinião com Assinatura

Afonso Pinto Coelho 20/05/2020 - "Equívocos & Contradições"



Desde quinta-feira da semana passada que os sócios do Sporting Clube de Portugal foram “bombardeados” com uma campanha de “limpeza de imagem” por parte do actual Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, a qual começou com a apresentação de um documento intitulado “Visão Estratégica 2020-2022 - Regresso ao Futuro” no Jornal Sporting.


Mais, esta campanha de “limpeza de imagem” passou por várias entrevistas do ex-suplente do Conselho Directivo e mais recente Administrador-Executivo da Sporting SAD, André Bernardo a diversos Orgãos de Comunicação Social, entre os quais a Sporting TV em dose dupla, e terminou na passada segunda-feira com mais uma inenarrável entrevista do actual Presidente do Conselho Directivo, desta vez ao Canal 11, propriedade da Federação Portuguesa de Futebol.


Curiosamente nesta mesma segunda-feira, ou seja, no período pré-entrevista e pós-apresentação da “Visão Estratégica 2020-2022 - Regresso ao Futuro”, tivemos a demissão de dois membros do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal (Rahim Ahamad e Filipe Osório de Castro) e já ontem (terça-feira) no pós-entrevista de Frederico Varandas ao Canal 11, tivemos a demissão de um elemento do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal (Bernardo Simões).


O documento “Visão Estratégica 2020-2022 – Regresso ao Futuro” é globalmente pobre, e tenta “reconstruir” em 4 pilares (pessoas, estrutura, sistema de suporte, interacção com o sócio) o programa eleitoral da Candidatura “Unir Sporting”, o qual estava assente em 8 pilares (Líder no Futebol, Ecletismo ímpar no mundo, Sócios-a Família Sporting, Vivacidade dos Núcleos,


Estabilidade Financeira, Património por explorar, Sporting-Marca universal, Sporting Solidário) e na bandeira eleitoral “Zero Suspeição”. Com quase metade do mandato cumprido e ao contrário do que já disse o actual Presidente do Conselho Directivo por várias vezes, a grande maioria das medidas do seu programa eleitoral continuam por cumprir, sendo que existe mesmo uma das medidas que já não poderá ser cumprida: Objectivo - 200.000 sócios em 2019. Estamos em 2020, e desde o dia 5 de Março deste ano que o treinador Ruben Amorim é o sócio número 187.181 do Sporting Clube de Portugal.


Provavelmente, o não cumprimento da promessa eleitoral dos 200.000 sócios até final de 2019 tem muito a ver com a “Visão Estratégica 2020-2022”, em que considera que “o principal activo do Sporting CP são os seus atletas e colaboradores. Eles constituem a base para que a organização consiga assegurar todos os demais pilares e objectivos”. Obviamente que discordo desta visão, pois o principal activo do Sporting Clube de Portugal são os sócios, e sem eles não haveria atletas e colaboradores. São os sócios que constituem a base para que a organização consiga assegurar todos os demais pilares e objectivos. Como já referi em artigos anteriores, as receitas de quotização diminuiram em 2018/2019 face a 2017/2018, ou seja, ja estavam a diminuir antes da pandemia do Covid-19.


Como se pode querer aumentar o número de sócios, quando se diz que o principal activo do clube são os atletas e colaboradores?


No entanto, Frederico Varandas talvez tenha operado mais uma mudança de paradigma, ao trocar “sócios que dão votos” na campanha eleitoral, por “atletas e funcionários" já como presidente, à semelhança do que fez quando contratou Ruben Amorim, em que disse que a contratação do treinador representava um “mudança de estratégia, de rumo e de paradigma”, mesmo sabendo de antemão que Ruben Amorim não tinha as habilitações legalmente obrigatórias para ser formalmente treinador de uma equipa da Primeira Liga portuguesa no banco dos suplentes.



Relativamente às outras medidas propostas no programa eleitoral da candidatura da lista “Unir Sporting”, desafio Frederico Varandas a dizer publicamente aos sócios as medidas propostas (uma-por-uma) que já cumpriu, e relativamente ao que não cumpriu qual o horizonte temporal para o seu cumprimento, em função do que resta para a conclusão do seu actual mandato.


Penso que esta abordagem seria muito mais interessante, por forma a abandonar a “Suspeição Total” e finalmente dar o pontapé de saída no cumprimento da bandeira eleitoral “Zero Suspeição” da candidatura “Unir Sporting”, comparativamente com o “reset” que foi feito através da apresentação do documento de “Visão Estratégica 2020-2022 - Regresso ao Futuro”. Grande parte das propostas apresentadas no documento “Visão Estratégica 2020-2022 – Regresso ao Futuro” mais do que não são do que o “regresso ao passado” dia 8 de Setembro de 2018, dia em que a candidatura “Unir Sporting” venceu as eleições do Sporting Clube de Portugal, ou seja, mais de 20 meses em que as mesmas medidas propostas continuam sem ser implementadas no Sporting Clube de Portugal.


Saudações leoninas.



Afonso Pinto Coelho

20/05/2020




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