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Afonso Pinto Coelho 19/11/2020 - Cashball e as Teorias da Conspiração



Fomos esta semana confrontados com noticias acerca do relatório final da Policia Judiciária relativamente ao caso Cashball. Segundo as informações que vieram a público, parece que apenas o denunciante será acusado de corrupção de forma tentada e que os restantes arguidos foram ilibados.

O que se tem passado no caso "Cashball" levanta-nos questões ao nível da credibilidade e qualidade do jornalismo, nomeadamente ao nível do seu rigor, isenção e ética. Obviamente que o jornalismo e a imprensa tem um papel extremamente importante na nossa sociedade, ao nível da divulgação de informação, na medida em que ela é uma variável muito importante para a formação de opinião por parte da opinião pública.

Apesar de felizmente ainda existir jornalismo rigoroso e de qualidade, e jornalistas isentos e imparciais, assiste-se cada vez mais nos nossos dias a uma tendência crescente dos “sound bites” e/ou dos “click baits”, pois são estes que captam mais a atenção da generalidade dos consumidores de Comunicação Social, e consequentemente por via disso podem gerar potencialmente mais publicidade para os próprios Órgãos de Comunicação Social. A verdade dos factos passa muitas vezes para segundo plano em detrimento de narrativas influenciadas por interesses da mais variada ordem, sejam eles quais forem, em que os factos são descontextualizados e os alvos seleccionados, o que gera uma percepção da realidade diferente do que ela é por si mesma do ponto de vista intrínseco.

Obviamente que toda esta tendência (muito perigosa) acaba por condicionar não só a opinião publica, mas também os agentes de justiça (em maiores ou menores proporções), na medida em que também eles são seres humanos consumidores de televisão, rádio e jornais. Na dimensão jurídica propriamente dita, o segredo de justiça passou a ser apenas “teórico”. Por outro lado, no plano mediático, o grau de empatia que a generalidade da opinião pública sente pelos arguidos e/ou acusados é muitas vezes completamente independente do seu eventual grau de culpa, e muitas vezes muito mais determinado pela abordagem de muitos “opinion makers” que proliferam na comunicação social, e que não analisam as temáticas em toda a sua profundidade.

O processo “cashball”, bem assim como o processo “Alcochete” são bons exemplos de casos de estudo em que as problemáticas acima descritas encaixam perfeitamente.


Como nota final, estranha-se que o Sporting Clube de Portugal não tenha reagido (ainda) de forma oficial através de comunicado a toda esta situação do caso "cashball", para além de uma curta declaração do responsável de comunicação num programa televisivo na Sporting TV onde disse: “É positivo, é bom que o Sporting não esteja envolvido em qualquer processo de corrupção, nem que seja alegadamente”. Parece-me uma reacção que deixa muito a desejar (associada a ausência de qualquer comunicado oficial sobre o assunto) face aos danos reputacionais de que o clube e os seus responsáveis no período dos alegados factos foram vitimas durante mais de dois anos e meio. Recordo que o próprio Conselho de Disciplina da Federação de Andebol de Portugal, em 30 de Julho de 2019, já tinha tomado a decisão de arquivar o “processo de inquérito de natureza disciplinar instaurado na sequência de noticias publicadas na comunicação social no dia 15.05.2018 e que levantaram a suspeita da prática de infrações disciplinares que punham em causa a verdade e integridade desportivas de vários jogos de andebol disputados na época de 2016/2017”, sendo “que no âmbito do referido processo de inquérito, foi realizado um vasto conjunto de diligências probatórias, tendo sido designadamente ouvidas mais de duas dezenas de testemunhas, incluindo 14 árbitros e pessoas não inscritas na Federação de Andebol de Portugal”.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos relativamente ao caso “Cashball”, porque me parece que existe ainda muita “verdade” por contar relativamente a esta história.


Saudações leoninas!



Afonso Pinto Coelho

19/11/2020


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5 comentários


Teresa Amaro
Teresa Amaro
20 de nov. de 2020

Ainda existe muito para descobrir e não duvido que Cashball e Alcochete estejam inter ligados pelos mesmos personagens e só espero que a justiça faça o seu trabalho e que não seja nenhum daqueles juízes da tribuna a julgar estes casos. Eu ainda tenho esperança na justiça portuguesa . Vamos aguardar pelas cenas dos próximos capítulos.

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Jorge Mendes
Jorge Mendes
20 de nov. de 2020

não deixes que a verdade, te estrague uma boa história, é o slogan desta comunicação social podre e sem ética, um abraço

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jaapimentel
jaapimentel
20 de nov. de 2020

Vão ter que pagar ao clube e á SAD o que têm feito. Podem embebedar-se ,podem continuar a viver a mentira, até podem enganar os pobres do croquetes . Mas não pode negar a justiça . Isto apesar de todos saberem o estado a que ela chegou...

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Rui Manuel Barbosa
Rui Manuel Barbosa
19 de nov. de 2020

Afonso todos nós, os inteligentes, já sabíamos deste resultado, que embora parcial, iliba o Sporting e Bruno de Carvalho. Este foi sempre o alvo dos mandantes, tal e qual Alcochete. O que precisamos para ambos, é saber quem mandou. Quem foi o idealista. Solteira, está culpa não pode ficar.

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migusta04
migusta04
19 de nov. de 2020

Afonso, o que faz a avestruz? E esta corja faz o mesmo! Ninguém desta gentalha tem coragem, sabem lá o que é isso, para assumir, outra palavra que desconhecem, os erros que cometeram. É preciso ser nobre de carácter para se fazer mea culpa! Perdoar é divino! E o trato que esta corja tem é com satanás! Qyanto msis ouço o Presidente Bruno de Carvalho falar, mais me faz lembrar a grande lição de perdão que Nelson Mandela mostrou ao mundo depois do que os ingleses lhe tinham feito! Ser nobre sem titulo não é para todos! Afonso, cada vez gosto mais dele e de Homens como o Afonso que sempre o apoiaram e são tão nobres como eke. Pela amizade…

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