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Afonso Pinto Coelho 10/06/2020 - Relatório & Contas - Sporting SAD - 3º Trimestre 2019/2020

Relatório & Contas - Sporting SAD - 3º Trimestre 2019/2020


Conforme prometi na passada semana, analiso hoje o Relatório e Contas da Sporting SAD relativo ao 3º trimestre do exercicio económico 2019/2020, o qual foi divulgado publicamente no passado dia 31 de Maio.



O primeiro aspecto que merece referência é o valor da transferência de Bruno Fernandes para o Manchester United, a qual várias vezes é referida como a “maior venda de sempre” do Sporting Clube de Portugal. De facto, é maior venda bruta de sempre de um jogador do Sporting Clube de Portugal. No entanto, entendo que faz muito mais sentido analisar vendas líquidas do que vendas brutas. Desta forma, conforme consta no último Relatório e Contas, o valor fixo da venda foi de 55 Milhões de Euros, a que se deduzirmos 6,557 Milhões de euros de gastos associados à venda, teremos 48,443 Milhões de euros.



Mesmo sem considerar cerca de 10% da mais-valia do valor de transferência do Sporting para o Manchester United, que a Sampdoria reivindica como seu, e tendo em consideração que o valor da transferência de Bruno Fernandes da Sampdoria para o Sporting foi de 9,69 Milhões de euros (Fonte: Transfermarkt), o valor líquido que a Sporting SAD lucrou com Bruno Fernandes foi inferior a 40 Milhões de euros (Fonte: Transfermarkt), sendo que este foi o valor fixo da venda de João Mário para o Inter Milão, o qual é igualmente o valor líquido que a Sporting SAD lucrou com João Mário, pois para além de não existirem gastos associados à venda, o jogador em questão fez a sua formação no Sporting Clube de Portugal. Fica desta forma comprovado que ao dia de hoje, que a venda liquida de Joao Mario foi mais rentavel para o Sporting que a venda liquida de Bruno de Fernandes.


No que concerne à Demonstração de Resultados, regista-se um agravamento dos resultados operacionais negativos sem transacções com jogadores, face ao periodo homologo (de 9 meses) do exercicio económico anterior, de -18,63 Milhões de euros (1/7/2018-31/3/2019) para -23,549 (1/7/2019-31/3/2020), o qual resulta, quer da redução dos rendimentos e ganhos operacionais sem transacções com jogadores, quer do aumento de gastos e perdas operacionais sem transacções com jogadores. De qualquer forma, relativamente aos rendimentos e ganhos, destaco o aumento do valor da rubrica de participações em competições particulares, em outros rendimentos e ganhos, de 0,294 Milhões de euros para 0,735 Milhões de euros, ou seja, um aumento de 0,441 Milhões de euros. No entanto, regista-se um aumento do valor da rubrica de organização e deslocações e estadias de jogos, em fornecimento e serviços externos, de 2,210 Milhões de euros para 3,423 Milhões de euros, ou seja, um aumento de 1,213 Milhões de Euros (+54,9%).












Penso que seria importante que a Administração da Sporting SAD viesse explicar aos sócios e accionistas este aumento de 54,9% em organização e deslocações e estadias de jogos, até porque o número de jogos, quer particulares, quer oficiais disputados fora do país foi idêntico em 2018/2019 e em 2019/2020. Em 2018/2019, foram disputados na pré-época 3 jogos na Suiça e 1 jogo em França, sendo que na Liga Europa, existiram deslocações oficiais a Inglaterra, Ucrânia, Azerbaijão e Espanha. Em 2019/2020, foram disputados na pré-época 2 jogos na Suiça, 1 jogo na Bélgica e 1 jogo em New York (E.U.A.), sendo que existiram deslocações oficiais a Holanda, Austria, Noruega e Turquia. Entre as razões apresentadas no Relatório e Contas para o aumento desta rubrica, penso que o argumento da “sazonalidade das deslocações da Liga Europa” é surpreendentemente estranho, na medida em que nas 2 últimas épocas foram feitas exactamente 4 deslocações europeias oficiais em cada uma das épocas.


Para além disso, é também de dificil entendimento justificar o aumento de gastos nesta rubrica com o jogo particular disputado na Bélgica, na medida em que no periodo homologo da época anterior também foi disputado um jogo particular em França. Por outro lado, em nome da transparência decorrente da bandeira eleitoral de “Zero Suspeição” apresentada como um pilar da candidatura “Unir Sporting”, penso que a Administração da Sporting SAD deveria apresentar detalhadamente quais os rendimentos e os gastos da deslocação a New York para jogar com o Liverpool (E.U.A.).


Mais uma vez, os resultados operacionais positivos devem-se unicamente a rendimentos com transações com jogadores, com gastos médios associados a venda de mais de 13% do valor bruto das vendas. De entre as transacções reportadas no Relatório e Contas, destaco a venda de jogadores com passado na formação do clube, e com elevado potencial, por valores absolutamente irrisórios, como Félix Correia (3,5 Milhões de euros), Domingos Duarte (3 Milhões de euros) ou Iuri Medeiros (2 Milhões de Euros).



Mais, a incompreensível venda de Bast Dost (a qual deixou o plantel cerca de meia época com apenas um ponta de lança: Luis Phellype) por menos de 6 Milhões de euros (Valor de venda bruto de 7 Milhões com Gastos associados à venda de 1,048 Milhões) em Agosto de 2019, ou seja, já depois da operação de titularização de crédito de 65 Milhões euros em 20 de Março de 2019 e antes da transferência do treinador Ruben Amorim para o Sporting por mais de 10 Milhões de Euros em Março 2020, ilustra bem a falta de coerencia e de estrategia da actual Administração da Sporting SAD. Para além de Bas Dost, as transferências de Bruno Fernandes e Raphinha vieram a reduzir em grande medida a capacidade competitiva da equipa, até porque não foram colmatadas por opções de idêntica ou superior qualidade, como se pode comprovar pelos mais recentes resultados desportivos.


Desde 1 de Julho de 2018, já foram gastos cerca de 53 Milhões de euros na aquisição de jogadores, dos quais cerca de 47,5 Milhões de euros pela actual Administração da Sporting SAD. Por outro lado, o acordo relativamente ao processo de rescisão de Daniel Podence por menos de 7 Milhões de euros tambem foi manifestamente lesivo dos interesses do clube, como de resto se veio a confirmar pelo valor da sua posterior transferência para outro clube, como através da decisão relativamente ao caso Rafael Leão.

Ainda relativamente à Demonstração de Resultados, gostaria de chamar a atenção para o elevado valor de juros suportados (9,817 Milhões de euros em 9 meses no actual exercicio económico, face aos 5,525 Milhões de euros do periodo homologo do exercicio económico anterior), ou seja, mais 4,292 Milhões de euros em apenas 9 meses, o que corresponde a um aumento de 77,7% em juros suportados. Este aumento explica-se pela elevada taxa média de juro da operação de titularização de crédito da NOS, a qual se estima que seja muito próxima dos dois digitos percentuais.


Por último, a rubrica de Dividas a Fornecedores evoluiu de 44,029 Milhões de euros em 30/6/2018 para 43,546 Milhões de euros em 31/03/2019, ou seja, pouco depois de ter tido efectuada a operação de Titularização de crédito da NOS em 20 de Março de 2019. Surpreendentemente, a rubrica Dividas a Fornecedores aumentou para 47,967 Milhões de euros em 30/06/2019 e para 61,943 Milhões de euros em 31/03/2020, considerando que o actual Presidente do Conselho de Administração da Sporting SAD, Frederico Varandas disse na entrevista que deu recentemente ao Canal 11, que a Sporting SAD teve de pagar mais de 40 Milhões de euros de dividas, a clubes e agentes, herdadas da anterior Administração da Sporting SAD, oriunda do anterior Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal.


Saudações leoninas!



Afonso Pinto Coelho

10/06/2020


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