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Afonso Pinto Coelho 03/06/2020 - Relatório e Contas Consolidado Grupo Sporting 2018/2019

Na última semana foram divulgados publicamente dois documentos relevantes no âmbito do Sporting Clube de Portugal (Relatório e Contas Consolidado do Grupo Sporting 2018/2019 & Relatório e Contas da Sporting SAD - 3ºTrimestre 2019/2020).



Primeiramente, congratulo-me que finalmente foi divulgado o Relatório e Contas Consolidado do Grupo Sporting relativamente ao exercicio 2018/2019 (periodo compreendido entre 1 de Julho de 2018 e 30 de Junho de 2019), quase 11 (!) meses depois da conclusão do exercicio económico em questão, e mais de 7 (!) meses depois da aprovação das Contas Individuais do Sporting Clube de Portugal 2018/2019. Alertei para esta situação no passado mês de Abril, na medida em que a sua apresentação é legalmente obrigatória, sendo que os nossos rivais já tinham apresentado publicamente as suas contas consolidadas, em Outubro e Novembro do ano transacto.


Gostaria de destacar um pormenor surpreendente que reside no facto que relativamente às contas consolidadas 2017/2018 ter sido removido recentemente do site do Sporting Clube de Portugal a frase “Contas a aprovar em Assembleia Geral de sócios do Sporting Clube de Portugal” do Relatório e Contas Consolidado respectivo. Embora não seja obrigatória a aprovação em Assembleia-Geral de sócios, estranha-se e regista-se a falta de interesse do actual Conselho Directivo em levar as Contas Consolidadas para discussão e aprovação em sede de Assembleia Geral do clube, contrariamente ao que aconteceu durante o mandato do anterior Conselho Directivo, em que as Contas Consolidadas eram sempre levadas a uma Assembleia Geral do Clube, convocada para o efeito, para sua discussão e aprovação.


As Contas Consolidadas 2018/2019 registam um Resultado (antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos) mais negativo do que relativamente ao exercicio 2017/2018 (2018/2019: -31,928 Milhões de Euros vs 2017/2018: -11,132 Milhões de Euros), o qual se explica maioritariamente por uma quebra nas rubricas de Rendimentos (Vendas e serviços prestados, e outros rendimentos e ganhos). Relativamente às Vendas e serviços prestados destaco a quebra nas receitas de quotização em cerca de 3% (0,265 Milhões de euros) e principalmente nas receitas de bilheteira/bilhetes de época em cerca de 15% (2,659 Milhões de euros), as quais simbolizam o cada vez maior distanciamento da massa associativa relativamente a quem dirige actualmente o Grupo Sporting. Por outro lado, a quebra de Outros Rendimentos e Ganhos tem sobretudo a ver com o diferencial resultante da participação na Champions League (2017/2018) comparativamente à participação na Liga Europa (2018/2019).

O Resultado Operacional (antes de gastos de financimento e impostos) 2018/2019 comparativamente ao exercicio económico 2017/2018 melhorou apenas devido aos Rendimentos com transacções de passes de jogadores. Por outro lado, os Resultados financeiros 2018/2019 pioraram relativamente ao exercicio económico 2017/2018.


Os Resultados financeiros do exercicio económico 2018/2019 pioram relativamente ao exercicio 2017/2018 em virtude da elevada taxa de juro suportada com a cedência de créditos futuros (operação de titularização de crédito da NOS).


O valor da rubrica “Rendimentos com transacção de jogadores 2018/2019” deve-se maioritamente aos acordos dos processos de rescisões dos jogadores Gelson Martins, William Carvalho, Rui Patricio e às transferências dos jogadores Piccini, Demiral, Jonathan Silva e Santiago Arias. É minha convicção que os processos de rescisão dos 3 jogadores referidos deveriam ter seguido as vias judiciais, conforme se pode comprovar com o que aconteceu no caso do jogador Rafael Leão. Por outro lado, é por demais reconhecido o péssimo negócio que a Sporting SAD fez na transferência de Demiral, até pelo valor pelo qual o jogador foi transferido passado pouco tempo de ter saido do Sporting.


Obviamente que os valores (na ordem dos 72 Milhões de Euros, dos quais mais de 9,5 Milhões de Euros de gastos associados às vendas) arrecadados com estes acordos e transferências, na maior parte dos casos muito abaixo do que seria exigivel, serviram para “camuflar” os maus resultados operacionais do exercicio 2018/2019. Mais, em consequência desta estratégia, a capacidade competitiva da equipa profissional de futebol tem piorado bastante, conforme se pode constatar pelos resultados desportivos mais recentes.


Por outro lado, no exercicio económico 2018/2019 foram gastos cerca de 41,5 Milhões de Euros na aquisição de jogadores como Vietto, Diaby, Rafael Camacho, Rosier, Doumbia, Borja, Ilori, Gonçalo Plata, Renan Ribeiro, Luis Neto e Luis Phellype entre outros.


Curiosamente, são cerca de 40,5 Milhões de Euros que o Sporting necessita para poder comprar a totalidade das VMOCs, e assegurar a manutenção da maioria do capital social da Sporting SAD.

Relativamente ao Balanço Consolidado, destaco o aumento do Passivo Consolidado de 378,046 Milhões de Euros (30/6/2018) para 421,051 Milhões de Euros (30/6/2019), em grande parte pela operação de titularização de crédito da NOS.


Relativamente ao Relatório e Contas da Sporting SAD - 3ºTrimestre 2019/2020, farei a minha análise na próxima semana.

Saudações leoninas!



Afonso Pinto Coelho

03/06/2020


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